"Saúde, SIM! Violência, NÃO!": porque precisamos proteger quem cuida de todos nós
M...., vítima de socos na nuca desferidos por um paciente em surto pela demora do atendimento médico em 2024, ainda está em tratamento, pois a agressão deixou sequelas que talvez nunca mais sejam curadas.
Já o paciente F., inconformado com a falta de um medicamento que precisava para controlar as dores na coluna, fez um motorista e outros três funcionários reféns para exigir uma providência que atendesse sua necessidade.
Não haveria espaço aqui para relatar as agressões morais e psicológicas que, neste momento, atingem milhares de profissionais da saúde e crescem de forma exponencial.
A violência é inaceitável, e a revolta da população, compreensível em um sistema falho, jamais pode recair sobre quem está na linha de frente. O problema, inicialmente mais marcante nos hospitais públicos, UBSs e UPAs, onde a demora e a falta de recursos geram indignação, migrou para o setor privado e filantrópico que dá suporte à saúde pública.
Daí nasceu a campanha patrocinada por esta Federação: “Saúde, SIM! Violência, NÃO!”. Uma pauta urgente que, felizmente, encontra eco em outras grandes iniciativas como a “Marcas da Enfermagem”, criada pelo Cofen (Conselho Federal da Enfermagem) junto com os Corens estaduais.
Ambas as campanhas objetivam chamar a atenção das autoridades públicas e das administrações hospitalares para o problema, exigindo providências que garantam a segurança dos profissionais da saúde que diuturnamente atuam em prol da população, incluindo a aprovação do PL 6.749/2016, projeto de lei que busca aumentar a pena para crimes cometidos contra profissionais de saúde.
É preciso ressaltar que esses profissionais trabalham na maioria das vezes sem as condições ideais para cuidar da população, seja por falta de insumos, equipamentos e até medicamentos necessários à função. São problemas estruturais que não são de sua responsabilidade. Mesmo assim, não cruzam os braços e seguem dando o atendimento que os pacientes precisam.
A pesquisa do Coren-SP no Estado de São Paulo mostra a dimensão da covardia: Oito em cada 10 profissionais já sofreram algum tipo de violência no trabalho, sendo:
Verbal: Citada por 90% dos relatos.
Psicológica: 79%
Física: 21%
Em Brasília, pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPE-DF) mostra que as agressões são um padrão no País como um todo, com um alerta grave:
Apenas 15,2% dos profissionais que relatam violência física fizeram denúncias formais. Isso é medo, é omissão do sistema, e nós não vamos tolerar.
A Federação Paulista da Saúde, junto com os sindicatos filiados, que representam mais de 800 mil trabalhadores no estado de São Paulo dos setores privado e filantrópico, oferece suporte jurídico, psicológico e institucional aos trabalhadores envolvidos. Mas é preciso mais.
“Saúde, SIM! Violência, NÃO!” não é apenas um slogan; é um grito de BASTA!
Esta campanha nasce para sensibilizar a população para o papel heróico cumprido por esses profissionais e, principalmente, para COBRAR a adoção de protocolos de segurança por parte do Poder Público e dos estabelecimentos de saúde. Eles têm o DEVER de garantir proteção à vida e à integridade para aqueles que são linha de frente no atendimento à população.
Se não obtivermos a resposta adequada, esta Federação tomará providências firmes e imediatas junto ao Ministério Público do Trabalho e aos demais órgãos competentes.
Precisamos cobrar e exigir a quem de direito, mas, acima de tudo, precisamos apoiar quem está ao nosso lado dia e noite. Una-se à nossa luta!
*Edison Laércio de Oliveira é presidente do Sinsaúde Campinas e Região e da Federação Paulista da Saúde