A democracia sob ataque!

A democracia sob ataque!
Publicado: 18 de maio, 2022

 À medida que a crise brasileira se aprofunda e o processo eleitoral avança vai tornando evidente existir um esforço do clã Bolsonaro, de militares aliados e de seus seguidores, incluindo empresários oportunistas, objetivando desmoralizar o Supremo Tribunal Federal (STF), o sistema eleitoral sob o comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, via  golpe de Estado, acabar de vez com a democracia.

 
São forças extremistas de direita respaldadas por extratos sociais médios e também de baixa renda, a chamada ralé, que atingidas pelo atual modelo econômico em sua condição de renda (empobrecimento), ou se sentindo ameaçadas na sua posição, muitas vezes privilegiada, engrossam essas mobilizações, dão vida a esses movimentos fascistas no sentido de interferir no resultado de ações que consideram desinteressantes para elas.
 
Sabe-se que em muitos aspectos o STF não tem agido efetivamente como guardião da Constituição, tal como esta o define. Assim como o parlamento brasileiro é hoje composto por maioria conservadora e fisiológica representante dos interesses do capital, ainda que tenha sido eleita pelo voto das brasileiras e brasileiros, incluindo-se neste rol parcela da classe trabalhadora.
 
Todavia, fechar as instituições, como defendido pelo clã Bolsonaro e seus seguidores, é pôr fim ao que ainda resta de democracia no país e a instauração de um regime de força. Não é à toa que, como tudo de ruim que Bolsonaro está fazendo (desmontando o país, pregando o ódio e ferindo a nossa dignidade) essa massa não se levanta em oposição a ele, mas contra os outros poderes, particularmente quando estes adotam medidas que impedem o Executivo de agir ao seu bel prazer desrespeitando as leis.
 
Em a "Origem do Totalitarismo”, a filósofa alemã Hanna Arendt analisa essa questão da ralé como sendo grupos residuais presentes em todas as classes sociais que tem em comum a negação da política, das instituições do Estado e das contradições inerentes à vida em sociedade. O que implica para essa gente em expressar sua rejeição à democracia que exige políticas que promovam o equilíbrio e a equalização da vida social.
 
Como é antidemocrática ela se vê representada em um homem forte (ou anseia por isso), capaz de decidir sempre ao seu modo – de forma autoritária - pelo conjunto da sociedade. Foi assim na Itália de Mussolini, na Alemanha de Hitler e, agora, no Brasil de Jair Bolsonaro.
 
Ainda segundo Arendt, essa gente tem o ódio como missão e a violência como seus motores. No caso em questão visa de fato intimidar o Judiciário quando se trata de julgar e decidir pela possibilidade de absorver e/ou libertar alguém que ela não gosta e quer ver presa, ainda que injustamente, bem como para impedir que gente mau-caráter, pertencente as suas hostes, venha a ser punida.
 
Tem sido assim nos últimos tempos quando, via carreatas realizadas pelas ruas de cidades brasileiras e através de manifestações em frente ao Palácio do Planalto e STF expõem publicamente seu ódio ao outro, ao diferente, e deixa claro odiar a democracia e os que a defendem.
 
Não há dúvida que por trás dessas mobilizações contra a Suprema Corte e o TSE, existem os dedos, mãos e braços do clã Bolsonaro, bem como de empresários trogloditas representando interesses econômicos e políticos retrógrados que as financiam dispostos a destruir o processo democrático e nos empurrar para uma situação de completa barbárie com todas as implicações que isso possa ter.
 
 
 
Antônio Rogerio Magri - Presidente do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação Física do Estado de São Paulo e ex-ministro do Trabalho e da Previdência Social
 
José Raimundo de Oliveira – Historiador, educador e ativista social.
 
 
Fonte:  Assessoria de Imprensa