Arquivo Edgard Leuenroth e Me Too Brasil assinam convênio para tratamento do maior acervo de lutas feministas da América Latina

Arquivo Edgard Leuenroth e Me Too Brasil assinam convênio para tratamento do maior acervo de lutas feministas da América Latina
Publicado: 21 de janeiro, 2026
O Arquivo Edgard Leuenroth (AEL), do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, e a ONG Me Too Brasil assinaram um convênio para acelerar o tratamento do acervo do Centro de Informação Mulher (CIM), considerado o maior conjunto documental da América Latina dedicado às lutas feministas, doado à Universidade em 2023. 
 
Pelo acordo, a ONG, que atua no enfrentamento à violência sexual e no apoio jurídico, psicológico e social de mulheres, vai apoiar ações de preservação, higienização e acondicionamento do material, enquanto o AEL segue com a responsabilidade pela orientação técnica, restauro e elaboração da listagem para acesso público. 
 
“Tendo em vista o volume de documentos, ainda vai demorar para todo o acervo ser devidamente inventariado, mas o AEL dá acesso a consulentes interessados, seguindo as regras do arquivo, enquanto o material é processado. Neste momento, estão sendo feitas as primeiras etapas de tratamento, de higienização e acondicionamento do material em áreas específicas de guarda de acervos. À medida que o trabalho avançar, e também sob demanda, serão feitas exposições e debates”, adianta o diretor do Arquivo, Mário Medeiros. 
 
A iniciativa do convênio foi proposta pela presidente da ONG, a advogada Marina Zanatta Ganzarolli. “Para a Me Too Brasil, essa parceria com o Arquivo Edgard Leuenroth se insere no contexto da preservação da memória e da conservação não apenas dos movimentos de mulheres e feministas e do movimento LGBTQIAPN+, mas, especialmente, dos movimentos sociais populares que se organizaram em torno da defesa e do reconhecimento dos direitos humanos desses movimentos. Esse é um campo de interesse direto da instituição, considerando sua missão de acesso à justiça e de defesa dos direitos humanos das mulheres”, afirma. 
 
“Os documentos do CIM estavam armazenados em um contêiner. A nossa atuação entra justamente com esse aporte para que a conservação e a catalogação desse material sejam iniciadas, possibilitando que os documentos fiquem disponíveis para o maior público possível. Isso permite o desenvolvimento de mais pesquisas e estudos em torno da preservação e conservação dessas memórias, que são extremamente importantes.
 
Descobri que esse acervo estava armazenado em um contêiner porque tentei acessá-lo para o trabalho de campo do meu doutorado e não consegui”, ressalta Ganzarolli.
 
Além do tratamento do acervo, o acordo prevê a formação de uma rede de pesquisa dedicada à preservação da memória feminista e à prospecção e captação de novos acervos ligados ao combate à violência contra as mulheres. “A parceria com a Me Too Brasil vai possibilitar minimamente o acesso a essa documentação”, comemora a supervisora da preservação e difusão do AEL, Castorina Augusta Madureira de Camargo.
 
 
 
Fonte: Unicamp