Durante a discussão da PEC do Auxílio na Câmara dos Deputados, o deputado Bacelar (PV-BA) afirmou que o texto “tem natureza claramente eleitoreira, e a prova está no curto espaço (de vigência), até 31 de dezembro”. Ele acrescentou que “Bolsonaro só mandou isso porque Lula está na frente das pesquisas”. Concluiu dizendo que “com Lula presidente, nós vamos ampliar essa PEC”. Foi então que o presidente, Arthur Lira (PP-AL), manifestou um momento de sinceridade e raro bom humor, que a oposição não deixou de observar. Para responder a Bacelar, sorrindo muito, Lira prometeu: “Eu, ao final da sessão, vou fazer um desafio público aqui, para as oposições de hoje e os governos de amanhã e vice-versa”. Bacelar voltou a intervir. “Que bom que sabe que vai mudar”.
Em seguida, o líder da Minoria, Alencar Santana Braga (PT-SP), destacou que os próprios governistas admitiram nos debates que o Bolsa Família é o melhor programa de transferência de renda. “E vossa excelência, agora, confessou que a minoria de hoje será maioria de amanhã, e que a maioria de hoje será minoria amanhã”, emendou o petista, enquanto Lira, ainda sorrindo, dizia: “Não…” Dada a experiência política de Arthur Lira, poucos acreditam que a fala do presidente da Casa tenha sido mero ato falho diante da oposição.
Antes, a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) pediu ao presidente da Casa que passasse a PEC do Piso da Enfermagem (n° 11) à frente da PEC do Auxílio. Lira negou, e previu que, apesar das divergências, ambas as propostas de emenda à Constituição serão aprovadas, senão por unanimidade, por “larga vantagem”.
Tramitação acelerada
Os deputados seguem debatendo a PEC do Estado de Emergência, chamada “PEC do desespero”, que será votada hoje. No início da sessão do Plenário, os deputados aprovaram a quebra do prazo de duas sessões entre a votação na comissão especial – que aprovou a matéria – e a análise em andamento pela Casa da PEC da Emergência.
A oposição protesta contra a falta de maior tempo para debate. É esperado que os oposicionistas votem a favor do texto base, como no Senado, sob o argumento de que a população passa por dificuldades e não pode esperar. A aprovação do Auxílio Emergencial durante a pandemia também recebeu o voto da oposição sob esse argumento.
“Quem tem fome tem pressa”
“Não foi possível apresentar uma única emenda”, disse o deputado Bira do Pindaré (PSB-MA), sobre a acelerada tramitação do texto. Sâmia voltou ao microfone para dizer que Bolsonaro e sua base “descobriram hoje que quem tem fome tem pressa”. “Quem tem fome tem pressa há muitos meses, há muitos anos. A pressa não começa em 1° de agosto e não termina em 31 de dezembro”, acrescentou.
Segundo ela, a pressa dos governistas é entrar no recesso podendo fazer alarde da PEC em suas bases. Lira pediu para retirar das notas taquigráficas a adjetivação de Sâmia, que classificou o acelerado processo de votação de “palhaçada”.
O líder do PCdoB, Renildo Calheiros (PE), lembrou que a oposição há longa data defende os 600 reais e a valorização do salário mínimo. “Vários aqui diziam que não podia furar o teto (de gastos)”. Porém, o deputado disse que sua bancada votaria “favorável ao povo”.
A PEC do Estado de Emergência (PEC 001/2022) tramita em conjunto com a proposta de emenda à Constituição que trata de estímulos tributários aos biocombustíveis (PEC 15/22).
Fonte: Rede Brasil Atual