'Às vezes, não tem nem água', diz funcionária do Hospital Pedro II, no Rio
A emergência do Hospital Pedro II, na Zona Oeste do Rio, tem 21 leitos, mas abriga 84 pacientes. Os acompanhantes das pessoas internadas afirmam que o local está imundo. O banheiro que é usado pelos pacientes está inundado de urina.
Os funcionários têm medo de represálias e deixaram bilhetes à equipe de reportagem afirmando que estão sem pagamento, que não receberam o 13º salário e que falta comida e medicamentos na unidade.
Eles também alertam para a presença de baratas no hospital. “Estamos jogados às traças”, destacou uma das mensagens. Outra funcionária faz um desabafo:
“É tudo muito sujo. A comida é péssima, de má qualidade, quando tem. Às vezes, não tem nem água. E as pessoas não têm dinheiro para comprar. Quem não tem acompanhante, fica jogado fora gritando: ‘Pelo amor de Deus, já está de noite e não aparece um prato de comida. Eu estou com fome’. É muito triste. Arroz, feijão jogados no chão durante horas”, contou a funcionária.
A sensação de fracasso domina os profissionais que seguem trabalhando na unidade.
“As enfermeiras fazem o que podem, os médicos também passam o plantão, cuidam de todo mundo ao mesmo tempo. Mas a limpeza, a sujeira, o abandono, são tristes”, explicou a profissional.
Rodolpho de Paula, fiscal do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro, afirmou que é impossível para os profissionais de saúde exercer plenamente as funções desta maneira.
“É lamentável estarmos discutindo essa questão ainda na saúde pública do Rio de Janeiro. Falta de condições de trabalho, de medicamentos, falta de insumos. Ou seja, condições inadequadas para que os profissionais exerçam a sua profissão com zelo”
Salgado FIlho
O Hospital Salgado Filho, no Méier, na Zona Norte do Rio, também está superlotado, de acordo com os funcionários. Imagens mostram os pacientes internados em macas ocupando os dois lados dos corredores.
O representante do conselho de enfermagem destaca que o excesso de pacientes é um risco.
“O risco corre na questão de um cuidado errado ser feito com um paciente. Com a proximidade entre os leitos, você pode ter troca de identificação, se cai no chão e alguém coloca no leito errado, por exemplo. Eles estão vulneráveis a um erro por conta dessa superlotação
A Prefeitura do Rio afirma que as duas unidades enfrentam uma situação difícil e operam acima da capacidade mas que, ainda nesta quinta, deve repassar quase R$ 12 milhões à OSs que administra o Hospital Pedro II.
Fonte:G1
Foto: Reprodução/Tv Globo