Atividade econômica no Brasil frustra expectativas e tem queda em maio

Atividade econômica no Brasil frustra expectativas e tem queda em maio
Publicado: 14 de julho, 2017

 A atividade econômica no Brasil desacelerou e teve queda. O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) caiu 0,51% em maio na comparação com abril, informou a instituição nesta sexta-feira (14).

A expectativa de analistas em pesquisa da Reuters era de crescimento de 0,5%, enquanto especialistas consultados pela Bloomberg esperavam alta de 0,3%.
Na comparação com maio de 2016, o índice apresentou variação positiva de 0,04%, enquanto no acumulado em 12 meses houve recuo de 2,22%, sempre em números dessazonalizados.
"A economia continua nessa toada de recuperação gradual com oscilações que são naturais. Dificilmente teremos vários meses seguidos de crescimento expressivo", afirmou a economista-chefe da consultoria Rosenberg & Associados, Thais Marzola Zara.
Os dados do IBC-Br foram captados em parte antes da eclosão da crise política que afeta o presidente Michel Temer, o que tem atingido a confiança dos agentes econômicos.
Esse é o segundo resultado negativo no ano para o indicador, que incorpora projeções para a produção nos setores de serviços, indústria e agropecuária, bem como o impacto dos impostos sobre os produtos. A outra retração foi vista em março.
Destacando ainda mais a fraqueza da atividade, o BC revisou o número de abril para uma alta de 0,15%, contra o avanço de 0,28% divulgado anteriormente.
A queda na atividade ainda favorece a trajetória de queda da taxa básica de juros promovida pelo BC e dá mais espaço para novo corte de 1 ponto percentual da Selic, atualmente em 10,25%.
VAREJO
O resultado de maio do IBC-Br tem como pano de fundo uma queda inesperada nas vendas no varejo em maio, de 0,1%.
O varejo soma-se a um resultado fraco também do setor de serviços, o que acabou por ofuscar a melhora da indústria, que teve expansão de 0,8%.
Esses resultados também são encarados com cautela já que podem ainda não ter refletido na totalidade a profunda crise política que eclodiu em meados de maio, quando delações de executivos do grupo J&F levaram à denúncia por crime de corrupção contra Temer.
"O crescimento deve permanecer fraco e volátil durante 2017 dada a alta incerteza política e de política econômica, e uma série de outros fatores estruturais", escreveu em nota o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs, Alberto Ramos.
Nas leituras de junho feitas pela FGV (Fundação Getulio Vargas), a confiança do consumidor caiu e devolveu a alta de maio, enquanto que a do comércio recuou ao nível de março e a da indústria teve o menor nível desde fevereiro. Por fim, também em junho, a de serviços teve a maior queda desde setembro de 2015.
Especialistas consultados na mais recente pesquisa Focus do BC veem crescimento do PIB neste ano de apenas 0,34%, acelerando a 2% em 2018. 
 
 
 
Fonte:FOLHA