Audiência pública em Indaiatuba debate violência na saúde, desistência de profissionais e criação de novas unidades

Audiência pública em Indaiatuba debate violência na saúde, desistência de profissionais e criação de novas unidades
Publicado: 13 de abril, 2026
A campanha “Sinsaúde SIM, Violência NÃO!”, realizada em parceria com a Federação Paulista da Saúde, foi tema de audiência pública realizada quarta-feira (09/04) na Câmara Municipal de Indaiatuba. O debate foi além da violência e abordou questões importantes como a desistência da profissão em meio a criação de novas unidades de saúde no município.
 
Estiveram presentes na audiência em Indaiatuba o presidente da Câmara, Dr. Túlio José Tomass do Couto, o secretário de Saúde, Dr. Flávio Brito, a vereadora Silene Carvalini e o vereador Professor Sérgio, que mediou a audiência.
 
“O intuito é sensibilizar os órgãos públicos para que possamos, juntos, adotar medidas que impeçam que esses casos continuem acontecendo. Em 2020, no início da pandemia, os trabalhadores da saúde foram reconhecidos como essenciais, chamados de heróis e aplaudidos. Hoje, essa mesma categoria está sendo agredida”, afirmou o presidente da subsede do Sinsaúde em Itu/Indaiatuba, Waldir de Marchi.
 
Marchi ressaltou ainda que a campanha também busca conscientizar a população de que os profissionais da saúde não são responsáveis pelas falhas do sistema, sejam elas da rede pública ou privada, como a demora no atendimento, a falta de insumos básicos e até de médicos.
 
Desistência da profissão
 
A diretora Tânia Cristina de Jesus chamou atenção para uma questão que atinge toda a sociedade, o crescente número de trabalhadores que estão deixando a profissão. “Estou nessa profissão há 30 anos e, recentemente, tenho visto que os jovens não estão aguentando a pressão, as agressões, as condições de trabalho, as longas jornadas e estão abandonando a área da enfermagem e buscando outras profissões. Como vai ficar o atendimento à população com essas desistências?”, questionou.
 
Também há grande rotatividade de profissionais entre as unidades de saúde, como pontuou a vereadora Silene Carvalini.  “Na instituição privada ainda se consegue substituir, mas na área pública é necessário realizar concurso público, por exemplo”, destacou a vereadora.
 
Dr. Túlio destacou que o debate público é importante e deve ser contínuo. “Essa é a primeira audiência pública desde a pandemia... achei importante porque, nesse meio tempo, tivemos problemas com agressões... não somente na saúde pública, mas também no setor privado”, disse.
 
O presidente da Câmara citou ainda que já foi agredido por não ter concedido atestado médico a um paciente e que situações como falta de leitos e vagas geram revolta. “Nada justifica a agressão verbal ou física contra o profissional que está cumprindo o seu trabalho”, afirmou.
 
Soluções propostas
 
Entre as soluções discutidas estão a implantação do botão do pânico nas unidades de saúde, para acionamento imediato da Guarda Municipal ou Civil, além de campanhas de conscientização para incentivar os trabalhadores da saúde a registrarem boletim de ocorrência e comunicarem seus coordenadores e a Secretaria de Saúde.
 
Sequelas do Covid-19
 
 “Com o fim da pandemia, todo o sistema de saúde mundial, não só o brasileiro, está sobrecarregado. Procedimentos cirúrgicos represados foram herdados, e a Covid-19 e suas variantes deixaram rastros na maioria de nós. Temos pacientes com sequelas pulmonares, neurológicas e cardiológicas, e a quantidade de leitos não aumentou”, afirmou o secretário de Saúde, Flávio Brito.
 
Novas unidades de saúde vão precisar de profissionais
 
Em meio a carência de profissionais na área da saúde e do aumento da demanda no atendimento, Indaiatuba tem projetos de expansão para o setor. Entre eles estão duas UBSs e um novo Hospital Dia, com UTI cirúrgica. Já o Hospital Renato Cordeiro tem previsão de entrega em outubro de 2027, com pronto-socorro adulto e pediátrico, além de alas de internação feminina e masculina, com cerca de 70 leitos.
 
Segundo o secretário de Saúde, os projetos visam aliviar a sobrecarga do HAOC (Hospital Augusto de Oliveira Camargo) nos próximos três anos.
 
O secretário também defende a criação de uma nova UPA e destaca a importância de continuar articulando, junto à política estadual, a implantação de um hospital estadual em Indaiatuba. 
 
A audiência está na íntegra no canal da Câmara Municipal de Indaiatuba no YouTube. Clique aqui.
 
 
 
Fonte: Sinsaúde Campinas e Região