Demência é um termo geral que engloba várias doenças neurodegenerativas que ocasionam a perda gradual de funções cerebrais. É uma condição crônica, progressiva (ou seja, piora com o tempo) e não tem cura, embora existam opções de tratamento. A doença de Alzheimer é um dos tipos mais comuns de demência — que em geral ocorre em idosos com mais de 65 anos, embora haja casos com pessoas mais jovens — e causa problemas de memória, linguagem, pensamento e comportamento. A condição recebeu esse nome do neuropsiquiatra que a identificou, Alois Alzheimer, em 1906.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 50 milhões de pessoas vivem com demência no mundo — e a projeção dessa entidade é que se atinja a marca de 150 milhões em 2050. No Brasil, um estudo revelou que ao menos 1,76 milhão de pessoas com mais de 60 anos vivem com alguma demência no país. Esse número tende a crescer ainda mais. A previsão é que se chegue a 2,78 milhões de brasileiros com demência no final desta década e a 5,5 milhões em 2050.
Enfrentamento da doença
Para construir um plano de ação conjunta entre poder público, prestadores de serviço, comunidade acadêmica e sociedade civil, foi sancionada no dia 4 de junho a Lei 14.878/2024, que instituiu a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências. O texto traz princípios e diretrizes para o tratamento da doença e determina que o Ministério da Saúde desenvolva campanhas de orientação e conscientização em clínicas, hospitais públicos e privados, postos de saúde, unidades básicas de saúde e unidades de pronto atendimento.
Autor do projeto que deu origem a essa política, o senador Paulo Paim (PT-RS) ressalta a importância da política nacional no âmbito da saúde:
— É um projeto que articula áreas como saúde, assistência social, direitos humanos, educação, inovação e tecnologia. Segue na linha da construção de um Brasil com maior promoção de cura da saúde mental e cuidado com os vulneráveis. A lei vai proporcionar melhor qualidade de vida, ampliar o acesso a serviços e reduzir o estigma e o isolamento social da pessoas com Alzheimer.
Um dos principais focos da política nacional é a abordagem interdisciplinar para tratar o paciente. A lei apresenta uma visão permanente de integralidade e interdisciplinaridade e prevê a articulação de serviços e programas já existentes para a criação de uma linha de cuidado em demências. Além disso, incentiva a formação e a capacitação de profissionais especializados na área.
A advogada Fernanda Brasileiro, delegada da 1ª Conferência Nacional Livre de Saúde sobre Demências, ocorrida em maio do ano passado, diz que uma política nacional de enfrentamento à doença cria uma orientação nacional para o sistema de saúde público e privado.
— Isso chama atenção para uma situação grave de saúde pública que preocupa o Brasil e o mundo. A política prepara os profissionais de saúde para atender um contingente de pessoas que tende a ser elevado nos próximos anos.
Para o médico e senador Nelsinho Trad (PSD-MS), a lei também é um passo importante para o diagnóstico precoce da doença.
— Com o envelhecimento da população, muitas famílias estão despreparadas para lidar com essas doenças, pois ainda existe um forte desconhecimento a seu respeito. Essa política vem para melhorar o acesso a informações sobre os primeiros sinais, permitindo um diagnóstico precoce e um melhor tratamento. Além disso, vai oferecer apoio para os cuidadores e ajudar a reduzir o estigma que cerca o Alzheimer e outras demências. É hora de nos unirmos para dar aos nossos idosos o respeito e os cuidados que eles merecem.
Esquecimento
O principal e mais característico sintoma do Alzheimer é a perda de memória recente. Outros sintomas recorrentes são: dificuldade para encontrar caminhos conhecidos, dificuldade para encontrar palavras que exprimem sentimentos pessoais ou ideias, irritabilidade e agressividade. A nova lei prevê a oferta de ferramentas e capacitação para o diagnóstico oportuno da doença, além de campanhas de conscientização da população para a identificação precoce de sinais e sintomas.
Desde 2008, comemora-se em 21 de setembro o Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer (Lei 11.736/2008). Um de seus objetivos é conscientizar a sociedade sobre a importância da participação de familiares e amigos nos cuidados dispensados aos portadores da doença.
Felipe Von Glehn, médico neurologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e professor da Universidade de Brasília (UnB), explica como a perda de memória afeta o paciente.
— A pessoa começa a ter uma alteração na memória que afeta a sua vida. Não é um esquecimento comum; ele afeta o tempo-espaço. Começa com esse problema de memória e vai progredindo, afetando outras cognições. O paciente pode até ter alucinações em alguns casos.
Segundo Von Glehn, a principal causa da doença é ambiental. Uma pessoa que faz pouco exercício físico e tem um baixo estímulo social tende a desenvolver os sintomas mais rapidamente. Em alguns casos, a demência também está muito relacionada a um baixo nível socioeconômico.
Fonte: Agência Senado