Campinas - Sem negociação, trabalhadores do Centro Médico mantêm protesto contra retirada de benefícios
O ato de protesto dos trabalhadores contra as medidas tomadas pela administração do Centro Médico vai continuar até que as negociações com o Sinsaúde sejam retomadas, reestabelecendo o plano de saúde gratuito, e o Acordo Coletivo de Trabalho 2023 assinado. O movimento, iniciado nesta terça-feira, dia 25, em frente ao hospital, tem a participação dos trabalhadores e da população.
Há mais de um mês o hospital se nega a dar continuidade às negociações com o Sinsaúde, que devem definir as condições de trabalho para o próximo ano. Pior: voltou atrás até nos compromissos que havia assumido.
A última reunião de negociação da Campanha Salarial aconteceu há cerca de um mês. Nela, a administração se comprometeu a manter todos os benefícios já conquistados. A única pendência da pauta de reivindicação do Sindicato era o reajuste salarial de 3,74%, que é a inflação acumulada de junho de 2022 a maio de 2023, em parcela única, e mais 8% de aumento real.
Reajuste parcelado
Após a reunião, a administração do Centro Médico passou a agir com descaso. Em ofício, propôs ao Sinsaúde pagar o reajuste salarial de 3,74% em duas parcelas: 2% no salário de junho e 1,74% em dezembro.
Outra medida impactante para os trabalhadores, foi o fim da assistência médica gratuita. A partir de 1º de agosto será cobrada a coparticipação dos trabalhadores que usarem o plano de saúde. O valor da utilização terá um teto de R$ 180,00 por mês, por usuário, o que significa perda salarial para todos. Para muitos, esse custo chega a quase 12% dos salários quando da utilização do plano de saúde.
Para completar, a gestão do hospital anunciou a retirada da contribuição educacional. “Não vamos aceitar as condições salariais e as restrições nas cláusulas sociais impostas pelo hospital, que alteram benefícios e trazem prejuízos financeiros aos trabalhadores”, afirma a presidente do Sinsaúde, Sofia Rodrigues do Nascimento.
Liminar contra mudança no plano de saúde
“O Sindicato vai entrar com liminar na Justiça contra a cobrança do plano de saúde e também com pedido de audiência no Ministério Público do Trabalho (MPT) para intermediar as negociações”, explica o diretor do Departamento Jurídico, Paulo Gonçalves.
É importante salientar que o próprio hospital propôs a manutenção das cláusulas sociais até 2025. Além disso, o Acordo Coletivo de Trabalho de 2022 determina que o hospital pague uma multa de um salário nominal, por trabalhador, pelo descumprimento da cláusula da assistência médica/hospitalar.
Trabalhadores revoltados
Os trabalhadores do Centro Médico – aproximadamente 1.300 – estão revoltados com a atitude da empresa. “É inadmissível que um hospital, que ocupa a 7ª. posição no ranking dos melhores do Brasil, parcele o reajuste salarial, tire a verba para a qualificação dos profissionais e passe a cobrar pelo plano de saúde”, frisa a diretora sindical Márcia Abou.
“O Centro Médico sempre teve a tradição de negociação e diálogo com o Sinsaúde, mas as medidas anunciadas agora foram unilaterais e prejudiciais aos trabalhadores e não retratam a história do hospital”, afirma a também diretora Beatriz Campos de Paula.
De acordo com Márcia Abou, a manifestação no primeiro dia foi pacífica e é fundamental que a diretoria do Centro Médico volte a negociar a situação dos trabalhadores com o Sinsaúde. “Só assim poderemos chegar a uma solução que agrade a todos”, afirma.
“Vamos continuar lutando pelos direitos dos trabalhadores, a retirada de direitos não é uma opção e precisamos que os profissionais continuem apoiando o Sindicato nessa luta. Queremos que os funcionários do Centro Médico sejam valorizados”, ressalta Sofia Rodrigues do Nascimento, presidente do Sinsaúde.
Fonte: Sinsaúde Campinas