Cesta básica em Campinas teve aumento acima da inflação

Cesta básica em Campinas teve aumento acima da inflação
Publicado: 16 de janeiro, 2026
A cesta básica em Campinas teve aumento de 5,27% em 2025, com a alta dos 13 alimentos pesquisados superando a inflação. A constatação foi feita pelo estudo mensal realizado pelo Observatório PUC-Campinas, com o valor chegando a R$ 782,81 em dezembro, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a taxa inflacionária oficial, fechou o ano passado em 4,26%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
A pesquisa feita pelo programa mantido pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas apontou a cidade como a que teve o maior reajuste dos alimentos no país, na comparação com 16 capitais acompanhadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que adota a mesma metodologia. A segunda colocada foi Salvador (BA), com elevação de 4,04%.
 
Para o coordenador da pesquisa do Observatório PUC, o economista Pedro de Miranda Costa, o resultado em Campinas foi em virtude de a cidade ter registrado aumentos maiores do que outras cidades ao longo do ano. “Não houve nenhum movimento assim completamente divergente, mas quando houve um movimento de alta, aqui em Campinas ele foi mais intenso. Quando houve um movimento de queda, aqui foi menor”, explicou.
 
De acordo com ele, um conjunto de fatores ajuda a entender essa variação, entre eles fontes de abastecimento de mercado diferentes, estratégias de venda do varejo discrepantes, comportamento do consumidor diante da alta e participação maior de determinados produtos no cálculo da cesta básica.
 
O café, por exemplo, teve o maior aumento no acumulado de 2025, 34,98%. Porém, o produto representou 5,24% do preço final. A carne bovina subiu 10,78% e foi o terceiro item com maior reajuste, mas sua participação na pesquisa foi de 39,54%.
 
Com isso, se essa proteína teve maior elevação em Campinas, acabou por ter uma forte contribuição no aumento da cesta maior em comparação as capitais analisadas. Para o economista, a alternativa para os consumidores economizarem é fazer pesquisa de preço, buscar as promoções e buscar outros tipos de carne mais em conta, como a de frango ou suína.
 
DE OLHO
 
“Eu deixo para comprar carne nos dias de promoção, quando os preços ficam um pouco menores”, disse a dona de casa Vera Lúcia Menezes, enquanto fazia as compras ontem. Ela colocou no carrinho uma peça de carne em função do quilo sair mais em conta em relação ao corte em bife.
 
A embalagem a vácuo tinha ainda a companhia de uma bandeja de linguiça, por ter preço melhor. De acordo com a pesquisa do Observatório PUC, a carne foi vendida ao preço médio de R$ 51,59 nos supermercados pesquisados no mês passado, atingindo o maior valor dos últimos 13 meses. O menor foi justamente em dezembro de 2024, R$ 46,57.
 
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba, a alta do preço dessa proteína ocorreu em virtude do aumento do consumo interno e das exportações, apesar de no segundo semestre ter ocorrido aumento no abate. “Esse período foi marcado por demanda intensa dos frigoríficos, que abriam preços maiores dia a dia.
 
Em todas as regiões, havia disputa pelos lotes ofertados, alguns até abaixo do potencial dos animais”, apontou o relatório do órgão, que faz pesquisa de preço diária no atacado, considerada referência nacional. 
 
Segundo o Cepea, a tendência da carne é seguir em alta este ano em virtude do bezerro e boi magro terem se valorizado em função da alta demanda. No caso do café, os preços foram puxados principalmente pelo aumento das exportações. Mesmo com oscilações ao longo do ano, as cotações se mantiveram, em grande parte de 2025, entre R$ 2,1 mil e R$ 2,25 mil a saca de 60 quilos do tipo arábica, que representa 70% da produção nacional.
 
Os preços se mantêm estáveis neste início de 2026. Na terça-feira (13), a saca foi comercializada a R$ 2.216,15, de acordo com o centro de estudos da Esalq.

OUTROS PRODUTOS
 
Esse quadro levou os consumidores a mudarem seus hábitos de consumo. “Eu já abri mão de marca e levo o que está mais barato”, disse a costureira Maria Tereza da Silva. Para ela, o importante é garantir os alimentos na mesa. “Eu comi carne moída o ano inteiro em 2025”, disse a oficial de cozinha Ilza Gouveia de Melo.
 
Ela utilizou em casa o que aprendeu no trabalho em um hospital da cidade para agradar as sete pessoas que moram com ela. “Nós comemos primeiro com os olhos para depois degustar”, explicou. Com isso, apostou na variação de receita e apresentação de pratos bonitos para agradar a família. 
 
No entanto, Ilza Melo disse ter dificuldades para aplicar a criatividade em virtude da alta de vários alimentos. É o caso do tomate, o produto da cesta básica com o segundo maior aumento em 2025, 17%. “Ele é básico. Dá para fazer molho, refogado, saladas”, argumentou. Ela pagou ontem R$ 8,89 o quilo, valor considerado razoável. No ano passado, lembrou, o quilo do produto chegou a R$ 12. O Observatório PUC-Campinas apontou também aumento de preço da banana (9,13%), pão francês (8,04%), óleo (1,47%) e farinha 0,18%. 
 
Por outro lado, seis componentes da cesta tiveram queda de preço nos últimos 12 meses encerrados em dezembro. O arroz apresentou a maior redução, 24,18%, seguido do leite (19,22%), manteiga (10,46%), batata (9,99%), feijão (5,88%) e açúcar (0,93%). O comerciante Aparecido Santos comprou caixas de leite ao se deparar com o valor de R$ 3,89 o litro, valor inferior ao preço médio de R$ 4,69 apurado pelo Observatório PUC em dezembro.
 
“O leite até que está barato, mas para isso, alguém está se lascando”, afirmou o consumidor. Ele explicou ter assistido à reportagem de TV mostrando o preço baixo pago ao criador, que muitas vezes não cobre o custo de produção.
 
MÊS PASSADO
 
Para o comerciante, a inflação está relacionada à estrutura do governo. “Tudo fica mais caro por causa da corrupção e do tamanho da máquina estatal. Eles gastam lá cima e sobra para quem está aqui embaixo. Se a máquina fosse menor, a variação dos alimentos seria fichinha”, argumentou.
 
O preço da cesta básica fechou 2025 após aumento de 0,23% em dezembro. No mês passado, a compra dos 13 itens alimentícios representou 51,6% do valor do salário mínimo – R$ 1.518. Em janeiro passado, a participação foi de 49,8%.
 
De acordo com a pesquisa do Observatório PUC-Campinas, para alimentar uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças), o piso salarial deveria ser de R$ 2.238,43. Esse é o valor necessário para a compra de três cestas básicas. No acumulado de 2025, a pesquisa do Dieese mostrou alta de preços em oito capitais brasileiras.
 
Além de Salvador, também registraram aumento Belo Horizonte (MG – 2,4%). Rio de Janeiro (1,57%), Recife (PE – 1.32%), São Paulo (0,55%), Fortaleza (CE – 0,48%), Belém (PA – 0,11%) e Porto Alegre (RS – 0,06%).
 
Por outro lado, outras oito capitais apresentaram queda no valor da cesta. As três maiores reduções foram em Brasília (3,9%), Natal (RN – 3,27%) e Vitória (ES – 2,7%). Em valores absolutos, a cesta básica de Campinas foi a quinta mais cara do país em 2025. A liderança ficou com São Paulo, onde o valor fechou em R$ 845,95, seguida por Florianópolis (SC – R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,05) e Porto Alegre (R$ 784,22). A cesta mais em conta foi encontrada em Aracaju (SE – R$ 539,49).
 
 
Fonte: Correio Popular