RIO - Um grupo de pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, descobriu que uma proteína, chamada Piezo1, presente no revestimento de vasos sanguíneos, é capaz de detectar uma mudança no fluxo sanguíneo durante a prática de atividade física. Eles a descreveram como um “sensor do exercício”. A partir da compreensão do funcionamento dessa proteína, cientistas acreditam poder avançar no desenvolvimento de medicamento contra doenças crônicas, como diabetes tipo 2.
Durante o exercício - enquanto o coração bombeia mais sangue para o organismo-, a proteína Piezo1, no endotélio (camada celular que reveste os vasos sanguíneos), levando sangue do coração para o estômago e intestino, “sente” o aumento da pressão nas paredes dos vasos sanguíneos. Como resposta, isso altera ligeiramente o balanço elétrico no endotélio e isso resulta na constrição dos vasos.
Em uma estratégia inteligente de “encanamento”, a condução sanguínea reduz o fluxo para o estômago e intestino, permitindo que mais sangue atinja o cérebro e músculos engajados ativamente no exercício.
Os cientistas afirmaram que a pesquisa é inovadora porque identificou, pela primeira vez, um mecanismo biomolecular chave envolvido em como o exercício é sentido. Eles acreditam que os benefícios da prática podem estar ligados com o fato de que o fluxo sanguíneo é direcionado para a região intestinal.
O professor David Beech, do Instituto de Cardiologia e Medicina Metabólica da universidade e líder da pesquisa, afirma: "Se conseguimos entender como esses sistemas funcionam, então, poderemos talvez conseguir desenvolver técnicas que possam ajudar a atacar algumas das maiores doenças que afligem as sociedades modernas”. Ele acrescenta: "Sabemos que exercícios podem proteger contra doenças cardíacas, como enfarte. Esse estudo identificou um sistema fisiológico que percebe quando o corpo mamífero está se exercitando”.
A pesquisa, feita com ratos, foi publicada na “Nature Communications”.
AJUDA NA BUSCA POR TRATAMENTO
Cientistas também investigaram o efeito de um composto chamado Yoda1, como o personagem de Star Wars, agindo sob a proteína Piezo1.
Os resultados mostram que o composto imitou a ação do aumento do fluxo sanguíneo nas paredes do endotélio, o que acontece durante a atividade física, aumentando as possibilidades da criação de uma droga que melhore os benefícios para a saúde das atividades físicas.
Beech afirmou: "Uma de nossas ideias é que o Piezo1 tem um papel especial em controlar o fluxo sanguíneo para o intestino e isso é uma parte muito importante do corpo quando pensamos na síndrome metabólica, o que é associada a doenças cardiovasculares e ao diabetes tipo 2”.
"Ao modificarmos essa proteína no intestino, talvez, possamos superar alguns dos problemas da diabetes e o Yoda1 possa atingir a Piezo1 no intestino para conseguir um efeito funcional”, acrescenta ele.
Os cientistas passaram patra outra fase da pesquisa. Eles agora vão modificar as moléculas do Yoda1 para que seja utilizado em outros experimentos com animais.