Com greve e conta da luz, prévia da inflação tem maior salto em 23 anos

Com greve e conta da luz, prévia da inflação tem maior salto em 23 anos
Publicado: 02 de julho, 2018

 

Pressionada pelos efeitos da greve dos caminhoneiros e pela conta de luz, a prévia da inflação oficial subiu 1,11% em junho, ligeiramente acima das previsões (1%) e do registrado um mês antes (0,14%). 

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), trata-se da maior variação do IPCA-15 para um mês de junho desde 1995 (2,25%).

O salto é explicado basicamente por dois eventos. O primeiro, a greve dos caminhoneiros em maio, não previsível, provocou um brusco choque de oferta, a partir do desabastecimento de combustíveis e alimentos. O outro, previamente anunciado, foi a imposição de bandeira vermelha nível 2 para as tarifas de energia elétrica. As tarifas subiram 5,44% em junho, configurando o segundo maior impacto sobre o índice no mês.

Os alimentos consumidos no domicílio, devido à paralisação que durou 11 dias desde 21 de maio, respondeu por quase metade da elevação da inflação apurada. O item de alimentação em casa teve alta de 2,31%; em maio, o avanço havia sido de apenas 0,09%.
O preço da batata-inglesa, por exemplo, saltou 45,12%, o da cebola, 19,95%, o tomate, 14,15%, o leite longa vida (5,59%), carnes (2,35%) e frutas (2,03%). 

A alimentação fora de casa (0,29%) também mostrou aceleração no nível de preços ante a queda de 0,28% registrada em maio.

Também puxou o índice o aumento do preço da gasolina, de 6,98%. Em maio, o combustível havia variado 0,81%.

Desta forma, o índice acumulado em 12 meses acelerou fortemente: de 2,70% em maio para 3,68% em junho. No primeiro semestre de 2018, o avanço acumulado foi de 2,35%.

Essa é a primeira vez desde janeiro (3,02%) que a prévia fica acima do piso da meta oficial de inflação, de 3%.

Os efeitos da greve, entretanto, devem ficar concentrados em junho, com o aumento dos preços voltando a ser contidos pelo desemprego ainda elevado e capacidade ociosa alta, diante do quadro de atividade econômica mais fraca do que o esperado.

Nesta quarta-feira (20), o Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 6,50%o como esperado e pela segunda vez seguida, reconhecendo que a inflação daria um salto temporário devido à greve dos caminhoneiros para não a ponto de a deixar fora do controle.


Fonte: Destak