Com incerteza política, agência diz que pode rebaixar nota do Brasil

Com incerteza política, agência diz que pode rebaixar nota do Brasil
Publicado: 23 de maio, 2017

 A agência de classificação de risco S&P Global Ratings anunciou nesta segunda (22) que colocou a nota de crédito brasileira em revisão para possível rebaixamento nos próximos três meses.

 
A decisão se baseia no quadro de elevação da incerteza política.
 
A nota de crédito do Brasil está hoje em "BB" com perspectiva negativa, ou dois níveis abaixo do grau de investimento, o chamado "selo de bom pagador".
 
Um novo rebaixamento levaria a nota do Brasil para três degraus abaixo no grau de investimento.
 
Segundo a S&P, após recentes denúncias de corrupção contra o presidente Michel Temer, o cenário político do Brasil voltou a se complicar, e progressos consideráveis no campo fiscal e econômico —em um contexto de ajuste prolongado— estão sob risco.
 
Para a S&P, um presidente enfraquecido ou um longo ou disruptivo processo de transição enfraqueceria a capacidade de avançar nas reformas e provavelmente atrasaria a recuperação econômica.
 
Assim como a aprovação de políticas fiscais e econômicas mais proativas, o que poderia conduzir a um rebaixamento da nota.
 
"Caso confirmadas as acusações contra o presidente Temer, a capacidade para permanecer no escritório e governar efetivamente se tornaria provavelmente insustentável, colocando em movimento um processo de transição que não foi testado antes."
 
A S&P diz ainda que os recentes acontecimentos políticos atrasariam a capacidade da classe política avançar nas reformas no que chama de "tempo oportuno", ou seja, antes das eleições presidenciais de 2018.
 
REAÇÃO DO GOVERNO
 
Em nota, o Ministério da Fazenda afirmou que a S&P "reconhece a importância das reformas implementadas", apesar de frisar a necessidade da aprovação da nova Previdência, e que a classificação será mantida se a incerteza política for de curta duração.
 
"Segundo a agência, a nota de crédito poderá ser mantida em um cenário em que a incerteza política seja de curta duração e sob uma administração e equipe econômica que tenham apoio suficiente no Congresso para continuar avançando com medidas corretivas direcionadas a frear a deterioração fiscal e fortalecer as perspectivas de crescimento."
 
A nota afirma ainda que a pasta reafirma o compromisso com as reformas.
 
"O Ministério da Fazenda reafirma o seu compromisso com a recuperação da economia brasileira por meio de reformas estruturais que objetivam o equilíbrio das contas públicas, a sustentabilidade da dívida pública e a construção de novas bases para o crescimento sustentado", diz o texto.
 
OUTRAS AGÊNCIAS
 
As outras duas principais agências de risco —a Fitch e a Moody's— também mantêm a nota do Brasil dois níveis abaixo do grau de investimento.
 
A diferença é que, enquanto a Fitch segue a S&P e mantém a nota em perspectiva negativa, a Moody's revisou a perspectiva no início do ano, de negativa para estável, refletindo uma visão mais benigna sobre as expectativas para a aprovação das reformas e o desenvolvimento no campo fiscal. 
 
 
 
Fonte:FOLHA
Foto: Jorge Araujo/ Folhapress