Com superlotação em UTIs e enfermarias neonatais, Hospital da PUC pede que pacientes busquem outras unidades
O Hospital PUC-Campinas (SP), que tem parte dos leitos destinados exclusivamente ao convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS), afirmou que opera nesta quarta-feira (18) com 140% da capacidade nas Unidades de Terapias Intensivas (UTIs) neonatais. Além disso, disse que as enfermarias também estão superlotadas. Diante da atual situação, o hospital orientou pacientes a buscarem outras unidades de saúde.
"Para garantir e preservar a segurança técnica assistencial e o atendimento com qualidade, o Hospital, solicita o apoio da imprensa, a fim de orientar a população sobre a situação e procurar outras instituições de saúde", disse.
Em um comunicado, a unidade explicou que possui capacidade para até 20 leitos de UTI neonatal, sendo que 16 deles são destinadas ao SUS. No entanto, nesta quarta, 28 pacientes estão internados, 26 deles pelo Sistema Único de Saúde.
A PUC destacou ainda que quatro gestantes têm previsão de parto prematuro e possivelmente necessitarão de uma estrutura como essa. Diante da superlotação, informou que as transferências das puérperas (pós-parto) do centro obstétrico às enfermarias foram impactadas.
Segundo o hospital, a superlotação é comunicada diariamente aos órgãos públicos competentes e à Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) do estado.
Questionada, a Secretaria Estadual de Saúde afirma, desde que o ofício municipal foi despachado, que "monitora a situação" e que está em diálogo com os gestores locais para oferecer a "assistência necessária para a população".
"O DRS continua com tratativas com as prefeituras da região para a abertura de novos leitos, uma vez que a abertura de leitos não é prerrogativa exclusiva do Estado, cabendo também aos municípios e à União", completou a Secretaria Estadual.
Outras unidades também lotadas
Apesar da orientação para que pacientes busquem locais diferentes, o Hospital da Mulher da Unicamp (Caism) e a Maternidade de Campinas, que são outras duas unidades de referência na metrópole, também informaram nesta quarta que enfrentam problemas com superlotação.
No Caism, todos os 15 leitos de UTI neonatal estão ocupados, e ainda há mais três recém-nascidos prematuros internados no centro obstétrico por falta de vaga. Já a Maternidade possui 22 estruturas, mas também nenhuma delas está livre.
Pressão na rede pública
A superlotação na PUC-Campinas ocorre em meio à pressão vivida na rede pública da metrópole por leitos pediátricos.
Nesta quarta-feira, a cidade completou 49 dias com pacientes à espera por vaga em leitos de enfermaria infantil. Na terça, oito crianças aguardavam vaga. No dia 5, eram 30 na fila, maior número registrado desde que o boletim sobre leitos infantis passou a ser divulgado.
A superlotação levou a Secretaria Municipal de Saúde e os hospitais que atendem o SUS a cobrarem a reabertura da ala de enfermaria pediátrica do Hospital Estadual de Sumaré, fechada desde janeiro de 2021. A unidade é administrada pelo governo de São Paulo.
Na segunda (16), dez dias após o pedido, o governo estadual reafirmou que ainda segue em "tratativas" sobre o assunto.
Em relação às UTIs para crianças, de acordo com a atualização de terça-feira (17), os hospitais da metrópole registraram 93 pacientes internados no SUS Municipal, no HC e rede particular. O total significa dois a menos do que na tarde de segunda-feira. A taxa geral de ocupação está em 87,7%. São 106 leitos de UTI pediátrica.
No comparativo com o boletim anterior, não houve mudança na quantidade de leitos.
SUS municipal: 34 leitos, dos quais 32 estão ocupados. Há dois livres.
HC da Unicamp: 20 leitos, dos quais 19 estão ocupados. Há 1 leito livre.
Particular: 52 leitos, dos quais 42 estão ocupados. Há 10 livres.
Fonte: G1