Conselho de Saúde recomenda 'lockdown' à Prefeitura de Ribeirão Preto para reduzir avanço da Covid-19

Conselho de Saúde recomenda 'lockdown' à Prefeitura de Ribeirão Preto para reduzir avanço da Covid-19
Publicado: 30 de junho, 2020

 O Conselho Municipal de Saúde enviou um ofício nesta segunda-feira (29) à Prefeitura de Ribeirão Preto (SP) recomendando que sejam adotadas medidas mais rigorosas para conter o avanço da Covid-19. Segundo o presidente Nilton Gilmar Nessi, que também integra o Comitê de Contingenciamento, o “lockdown” deve ocorrer em razão do crescimento acelerado de novos casos da doença na cidade e do aumento da taxa de ocupação de leitos.

 
Embora não tenha uma definição única, o "lockdown" é, na prática, a medida mais radical imposta por governos para que haja distanciamento social – uma espécie de bloqueio total em que as pessoas devem, de modo geral, ficar em casa.
 
A Secretaria Municipal da Saúde informou que a recomendação será levada ao Comitê Técnico de Enfrentamento à Covid-19 para avaliação. Antes, na sexta-feira (26), o prefeito Duarte Nogueira (PSDB) descartou a possibilidade do fechamento total.
 
Nesta segunda-feira (29), a taxa de ocupação chegou a 98,2% nos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para tratar a doença na cidade. Ao todo, 4,7 mil moradores já foram infectados e 144 morreram por complicações causadas pelo coronavírus.
 
"As medidas de restrição impostas até o momento não surtiram o efeito esperado. A taxa de isolamento é baixa, há grande fluxo de pessoas e veículos nas ruas da cidade, nos parques, nos bairros e periferia. O momento é muito crítico, carece de intervenção imediata", afirma Nessi.
 
Fase vermelha ainda mais restrita
Na semana passada, Ribeirão Preto e outras 25 cidades que integram a Diretoria Regional de Saúde (DRS) XIII foram mantidas na fase vermelha do Plano São Paulo. O aumento no número de casos de Covid-19 na região foi determinante para a decisão do governo do estado.
 
Segundo o presidente do Conselho Municipal, a Prefeitura precisa adotar regras mais rígidas do que as previstas na fase vermelha, que já restringe as atividades apenas aquelas consideradas essenciais.
 
Em média, a cidade tem mantido um índice de isolamento social em torno de 45%. Nessi acredita que as medidas mais restritivas poderiam elevá-lo a 65%.
 
"Mesmo com a permanência na fase vermelha, com as ordens de restrição contidas nessa fase, elas não estão sendo respeitadas. Resultado? É baixa a porcentagem de distanciamento social. Não tem dúvida que o desrespeito às ordens de restrição vão repercutir de forma desastrosa nas próximas semanas", diz o presidente.
 
O coordenador do departamento de inteligência em saúde da USP, Domingos Alves, afirma que apesar do aumento do número de leitos - a cidade passou de 121 para 167 - os casos graves crescem mais rápido, o que dificulta o atendimento.
 
"Nós chegamos hoje à falta de disponibilidade de leitos ou à falta de outros leitos para se abrir. Agora, de qualquer maneira, olhando outros indicadores, quando você olha o número de novos infectados nesse período, e principalmente o número de óbitos, mostra que Ribeirão Preto e a região em particular chegou a um patamar de agravamento muito importante", afirma.
 
Fonte: G1
Foto: Reprodução/EPTV