Coronavírus: 17 mil moradores foram infectados em Ribeirão Preto, SP, diz resultado parcial de estudo do HC
O resultado parcial da segunda fase do inquérito epidemiológico realizado em Ribeirão Preto (SP) aponta que 2,5% da população já foram infectados pelo novo coronavírus, o que representa 17.775 moradores.
O estudo é coordenado pelo Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP e pela Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo o chefe da pesquisa, o médico infectologista Fernando Belissimo, o cálculo da estimativa de pessoas que já desenvolveram anticorpos aponta para o achatamento da curva epidemiológica no município, mas que ainda não é hora de baixar guarda para as medidas de isolamento e higiene.
“Enquanto em outras cidades a gente viu os números dobrarem a cada dez dias, a cada semana até, os nossos números dobraram a cada três semanas. Isso é altamente positivo, mas também embute uma responsabilidade grande, porque uma vez que essa curva é achatada, ela deve se prolongar no tempo. Indica que ainda temos um trabalho árduo por semanas, meses até”, afirma.
Os dados apresentados podem ajudar as autoridades de Ribeirão Preto a traçar medidas de enfrentamento à pandemia.
Imunidade
Em maio, quando foi realizada a primeira análise, a pesquisa apontou que 1,2% já tinha sido exposta ao vírus, o equivalente a 8,3 mil pessoas. As equipes coletaram amostras de sangue e nasofaringe de 709 moradores das diferentes regiões da cidade, para mapear a incidência.
Agora, nos dias 11 e 13 de junho, os técnicos voltaram às casas dos mesmos voluntários e coletaram apenas sangue. Segundo o coordenador da pesquisa, a análise desse material detectou a presença de anticorpos contra o Sars-Cov-2, causador da Covid-19.
Trinta e dois voluntários testados na primeira fase não foram encontrados nas residências nos dias de trabalho de campo, mas as equipes deverão retornar para coleta de amostras. Com isso, ainda há a possibilidade de o percentual de infectados chegar a 3% da população.
Letalidade e sistema de saúde
Belissimo compara as mortes registradas em Ribeirão Preto até domingo (21), quando o número chegava a 68. O coordenador afirma que, se considerados os 17,7 mil infectados, o índice de letalidade é de 0,38%, uma das mais baixas do mundo.
“Ribeirão tem um sistema de saúde muito robusto que, até o momento, não foi saturado e está conseguindo fazer frente à doença. Podemos relaxar? Não. Se nós relaxarmos as medidas preventivas, o número de infectados pode crescer a ponto de saturar o sistema e a gente começar a não ter mais condições de oferecer UTI para todos que precisam. A letalidade vai aumentar.
O médico observa que independentemente da flexibilização ou da restrição de atividades econômicas, o índice de isolamento social na cidade tem se mantido em 45%, conforme os dados divulgados pelo Sistema de Monitoramento do governo estadual.
Para Belissimo, o número constante significa que falta conscientização de uma mesma parcela da população.
“A doença não mata sozinha, mata junto com a falta de acesso à saúde. Se você conseguir cuidar dos que têm a forma mais grave, a maioria vai sobreviver. Porém, o que tem acontecido em outras cidades do Brasil, com sistemas frágeis, é que as pessoas morrem no pronto-socorro por falta leito de UTI, médicos. Felizmente, não aconteceu em Ribeirão Preto, mas pode acontecer se houver relaxamento.”
Foto: Lakruwan Wanniarachchi / AFP