Quando Campinas (SP) projetou e iniciou a reabertura gradual do comércio, no início de junho, a expectativa era de uma contenção do número de casos de coronavírus (Sars-CoV-2), para que a cidade pudesse avançar no plano de retomada do Governo de São Paulo. Agora, nesta terça-feira (30) em que se completa exatos três meses do anúncio da primeira morte por Covid-19 no município, o que se vê é um cenário muito mais complicado, com o número de óbitos tendo disparado e subido 264,4% nos últimos 30 dias.
Desde o início da pandemia, foram 296 mortes e um total de 7.848 moradores infectados em Campinas. Para efeito de comparação, o G1 separou os óbitos de acordo com a data em que ocorreram, contando a partir da primeira morte confirmada, que aconteceu no dia 28 de março. Assim:
No primeiro mês, entre 28 de março e 27 de abril, aconteceram 21 óbitos.
No segundo mês, entre 28 de abril e 27 de maio, foram 59 mortes - aumento de 181% em relação ao mês anterior.
Agora, no terceiro mês, entre 28 de maio e 27 de junho, foram 215 óbitos - aumento de 264,4% em relação ao mês anterior.
Uma morte não entrou nessa conta, porque aconteceu já no dia 28 de junho, abrindo o quarto mês após a primeira confirmação.
Essa disparada no número de mortes e de casos, somada à uma pressão no sistema público de saúde com o aumento da demanda, fizeram com que o município, inicialmente classificado na fase laranja do plano de retomada, recebesse recomendações para o fechamento do comércio, o que aconteceu duas semanas depois da retomada - que teve aglomerações e filas nos primeiros dias.
Público x privado
Porém mesmo com o novo fechamento do comércio e a abertura de novos leitos de UTI específicos para tratamento de pacientes com coronavírus, as vagas de alta complexidade disponíveis no SUS Municipal ficaram lotadas pelo 17º dia seguido nesta segunda-feira (29). Enquanto isso, o SUS estadual tinha apenas um leito disponível.
Já na rede privada, eram 120 pacientes em 158 leitos de UTI instalados, o que equivale a 76% de lotação. Essas vagas importam para o município como um todo porque a Prefeitura de Campinas tem comprado leitos particulares diante da lotação no SUS.
E em relação ao número total de óbitos, é possível uma diferença entre a quantidade em cada rede. Enquanto no sistema público foram 167 mortes, no privado foram 121. Outros oito moradores estavam em casa quando faleceram.
Quem são as vítimas
Se o fator idade pode ser facilmente observado tanto na média total quanto no gráfico de acordo com as faixas etárias (veja abaixo no texto), o mesmo não pode ser dito em relação ao gênero das vítimas. Há uma diferença de menos de 10% entre os 158 homens e as 138 mulheres que perderam a vida por causa do coronavírus.
Mas uma coisa é bem clara, a existência de uma doença pré-existente que possa agravar o caso é quase sempre um fator determinante para o agravamento da doença. Das 296 vítimas registradas até aqui, só 28 não tinham comorbidades.
A média de idade das vítimas é de 72,8 anos. A média só dos homens é de 71,7 anos. A média só das mulheres é de 74,2 anos.
Fonte: G1
Foto: Osvaldo Furiatto/Divulgação