Criação da fase de transição por Doria bate com melhora na situação dos hospitais privados

Criação da fase de transição por Doria bate com melhora na situação dos hospitais privados
Publicado: 20 de abril, 2021

 Um dia antes do governo de João Doria (PSDB) criar a fase de transição para afrouxar a quarentena em São Paulo, mesmo com todas as regiões do estado com alta ocupação de unidades de terapia intensiva (UTI) para pacientes de covid-19, os hospitais privados informaram uma significativa redução de pacientes internados. Enquanto no estado a redução de pacientes internados em UTI foi de 11,82%, na rede privada ficou entre 25% e 44%. Para a deputada estadual, Professora Bebel, líder do PT na Assembleia Legislativa paulista, a situação mostra que o governo Doria não se importa com a população trabalhadora.

 
Em 14 dias, houve redução de 11,82% no número de pacientes em UTI em São Paulo. No dia 3 de abril, após 20 dias de fase emergencial, havia 30.515 pacientes internados, sendo 13.098 em UTI e 17.417 em enfermaria. No último sábado (17), eram 24.472 internados, sendo 11.549 em leitos de terapia intensiva e 12.923 em enfermaria.
 
No mesmo período, o Hospital Israelita Albert Einstein registrou queda de 43,9% no número de pacientes internados com covid-19, de 282 para 158. O Hospital Sírio Libanês registrou uma queda de 27,7%, indo de 213 pacientes internados com covid-19, para 154. Já a Rede D’Or São Luiz registrou queda de 30% e o Hospital Alemão Oswaldo Cruz teve redução de 49% nas internações. E o Hospital do Coração (HCor) registrou queda de 35% nos atendimentos de pacientes com Covid-19.
 
Prioridades
Outros hospitais da rede privada tiveram menores reduções do número de pacientes internados com covid-19, mesmo assim maiores que as registradas no estado. O Hospital Santa Catarina registrou queda de 28% em uma semana. O Hospital São Camilo teve queda de 22,7%. E o Hospital Nipo-Brasileiro registrou queda de 7%.
 
“A população trabalhadora nunca foi prioridade ou preocupação do governo Doria. Ele governa com e para os empresários. A preocupação dele sequer é com os pequenos comerciantes ou com a classe média. Desde o início da pandemia, não desenvolveu uma única política para apoiar os segmentos mais vulneráveis para que pudessem permanecer em isolamento social. Os resultados aí estão: uma verdadeira catástrofe sanitária e a pandemia sem controle no estado de São Paulo”, disse Bebel.
 
O único programa de apoio financeiro à população criado pelo governo Doria exige que os participantes trabalhem presencialmente nas escolas, o que anula qualquer possibilidade de ampliar o isolamento social.
 
“É um absurdo, um abuso, total falta de sensibilidade social e uma forma de negacionismo. Para prestar um auxílio de R$ 500,00, o governador quer expor pais e mães de família ao vírus, nos deslocamentos em transporte público e no trabalho nas escolas, que são focos de contaminação. É obrigação do Estado instituir um auxílio emergencial de R$ 600,00 para que essas pessoas possam, justamente, permanecer em suas casas, protegerem-se do coronavírus e, assim, defenderem a saúde e a vida de suas famílias”, criticou Bebel.
 
Pandemia descontrolada
No entanto, embora as internações de pessoas com covid-19 tenham caído, ainda que de forma desigual, os demais parâmetros mostram que a situação ainda é de descontrole da pandemia e a flexibilização prematura pode levar a uma nova explosão de casos, internações e mortes. A média de internações diárias de pacientes com covid-19 ainda é de 2.400. Só hoje foram registradas 2.008 novas internações.
 
Nos últimos 14 dias, o estado registrou uma queda de 1,13% no número de novos casos. Porém, em número absolutos, a situação ainda é a pior de toda a pandemia. Nas duas últimas semanas, foram registrados 219.517 casos de covid-19. Nos 14 dias anteriores, foram 222.111.
 
Na mesma linha, o número de mortes por covid-19 tem se multiplicado em São Paulo. Nos últimos 14 dias, houve aumento de 21,7% nos óbitos. Foram 11.356 pessoas mortas devido à infecção pelo novo coronavírus, em duas semanas. Destas, 5.695 apenas na última semana.
 
A taxa de ocupação de UTI está em 83% no estado de São Paulo e 80,8% na Grande São Paulo. Araçatuba, Araraquara, Barretos, Marília, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista e Sorocaba, ainda estão com ocupação de UTI acima de 90%. Bauru, Campinas, Franca, Registro, São José do Rio Preto e Taubaté estão entre 80% e 90%. Apenas a Baixada Santista e Piracicaba estão abaixo de 80%, que seria compatível com a fase laranja da quarentena.
 
Fase de transição
A fase de transição teve início ontem (18). Na prática, todos os setores econômicos poderão voltar a funcionar até o próximo sábado (24), mesmo com todos os índices da pandemia ainda estando em situação de fase vermelha. Podem ser reabertas todas as atividades comerciais, com funcionamento das 11h às 19h e limite de 25% de ocupação dos espaços. Cultos religiosos também podem voltar a ser realizados presencialmente, com limite de 30% de ocupação dos espaços. Em todos os casos, devem ser observados os protocolos sanitários de cada serviço.
 
A fase de transição será ampliada a partir do dia 24, restaurantes, salões de beleza, parques, clubes e espaços culturais poderão voltar a funcionar, com as mesmas regras de horário e lotação. As academias também voltam a funcionar, mas em dois horários: das 7h às 11h e das 15h às 19h. As escolas também seguem funcionando na fase de transição, com limite de 35% dos estudantes e frequência presencial opcional.
 
Rede Brasil Atual