Custo da cesta básica bate recorde e chega a R$ 885,18 em Campinas

Custo da cesta básica bate recorde e chega a R$ 885,18 em Campinas
Publicado: 17 de junho, 2026
O preço da cesta básica chegou a R$ 885,18 em Campinas no mês de maio, batendo recorde pelo segundo mês consecutivo. Os 13 alimentos pesquisados apresentaram alta de 5,76% em comparação aos R$ 836,96 de abril, apontou a pesquisa mensal feita pelo Observatório PUC-Campinas. O aumento, acrescentou o órgão, foi o maior da região Sudeste do país em comparação com as capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que utilizam a mesma metodologia.
 
O segundo lugar ficou com a cidade de São Paulo, com 5,08%, seguida por Belo Horizonte (MG – 4,06%), Rio de Janeiro (4,03%) e Vitória (ES – 4,01%).
 
Em todas as capitais brasileiras houve alta no mês passado, superando a inflação de 0,58% do mês passado. A elevação de 1,65% em maio foi o principal vilão do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), respondendo por metade da inflação geral. A alta foi a maior para maio desde 2008, há 18 anos. “É uma coisa generalizada. Infelizmente, estamos tendo altas, algumas coisas são cíclicas, próprias da época, mas tem uma somatória de fatores”, avaliou o economista Pedro de Miranda Costa, responsável pela pesquisa da cesta básica do Observatório PUC.
 
Entre as causas apontadas para a alta dos alimentos estão a menor oferta de alguns produtos e aumento do frete, puxado pelo reajuste do diesel em virtude da elevação do preço no mercado internacional em função da Guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. De acordo com o centro de pesquisa da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, a batata foi o item da cesta básica com maior alta, 69,99%; seguida pelo tomate, 17,48%; e banana, 6,5%.
 
O aumento está pesando no bolso dos consumidores. “Os alimentos estão muito caros.“Se dependesse só de mim, não estaria nem dando para comer”, reclamou o pedreiro aposentado Antonio José da Silva. O benefício dele é equivalente a um salário mínimo, R$1.621 bruto, com o valor da cesta comprometendo mais da metade do piso – 54,6% –, a taxa mais alta em 13 meses. Ela é inferior apenas aos 54,94% de abril de 2025. “A minha sorte é que a minha mulher também é aposentada, dando para segurar as pontas”, afirmou o consumidor.
 
DE OLHO
 
Para manter o orçamento doméstico sob controle, José da Silva tem reduzido a quantidade adquirida dos alimentos mais caros. “Os alimentos estão pesando bastante, não sobra nada”, disse.  
 
A pesquisa do Observatório PUCCampinas apontou a batata com o preço de R$ 9,92 o quilo no mês passado, acumulando aumento de 94,65% de janeiro a maio deste 2026, sendo o item com maior elevação.
 
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba, o preço do tubérculo seguiu em alta este mês no atacado. O saco de 25 quilos do tipo ágata especial foi comercializado a R$ 150 em São Paulo na última sexta-feira (12), diferença de 12,17% em relação aos R$ 133,72 do valor médio em maio. O órgão apontou que a alta de preço no mês passado ocorreu em virtude do clima. “A alta em São Paulo é justificada por chuvas em regiões produtoras, que abastecem a Central, em alguns períodos durante a semana”, apontou o relatório do Cepea. 
 
O tomate teve o segundo maior aumento no mês passado (17,48%) e também ocupa a vice-liderança acumulada nos cinco primeiros meses de 2026 (83,39%). Em maio, a banana ficou com o terceiro lugar entre os alimentos em maior alta em Campinas, 6,5%. “Batata, tomate e leite realmente subiram muito em maio. O resto até que está normal”, afirmou a aposentada Meire Barreto. “Eu sou sozinha e compro pouco, dando para me virar sem cortar nada, mas está difícil para uma família”, acrescentou.
 
Ao fazer compras ontem no Mercado Municipal, ela comprou quatro dedos de banana. Para a consumidora, as alternativas são pesquisar os preços e substituir os itens mais caros por outros mais em conta. Meire Barreto encontrou o tomate vendido entre R$ 10 e R$ 14 o quilo, uma diferença de 40%. O preço do fruto se mostrou próximo ao apurado pela pesquisa do Observatório PUC no mês passado, R$ 12,99.
 
“Como a batata está muito cara, dá para comprar a mandioca, que está R$ 4,50. “Ela substitui a batata em muitas receitas”, ensinou a aposentada. Outros alimentos que subiram em maio foram manteira (2,96%), carne (2,02%), óleo (1,64%) e arroz (1,41%). “Muitos dos itens da cesta básica não têm como ser substituídos tão facilmente sem uma perda da qualidade nutricional ou de preferência do consumidor. No caso de quem ganha menos, o aumento realmente representa uma queda no poder de compra”, explicou o economista Pedro Costa.
 
 
Fonte: Correio Popular