Defesa da saúde dos trabalhadores está em pauta no Senado

Defesa da saúde dos trabalhadores está em pauta no Senado
Publicado: 03 de setembro, 2021

 Os métodos de identificação dos pacientes com sequelas deixadas pela covid-19 passaram a ser um dos principais focos do Conselho Municipal de Saúde de Campinas nas unidades básicas da cidade. Os centros de saúde e as unidades de pronto atendimento (UPAs) serão responsáveis pelos encaminhamentos ao centro multidisciplinar do hospital Ouro Verde e do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), destinados aos sequelados da covid-19 na cidade.

 
Nayara Oliveira, presidente do Conselho Municipal de Saúde, reforçou ontem que a entidade terá um papel fiscalizador e de acompanhamento das medidas que serão adotadas para o encaminhamento das pessoas com sequelas da covid-19, visto que existe uma grande preocupação com a vida desses pacientes que contraíram a doença, conseguiram sobreviver e sofrem com as sequelas.
 
Segundo Nayara, as medidas adotadas pelo Poder Público, que cria o centro multidisciplinar no hospital Ouro Verde e retoma os atendimentos de outras especialidades e cirurgias eletivas no AME, são importantes e mais que necessárias. "Porém, as unidades básicas precisam estar bem estruturadas para os encaminhamentos. O papel delas é importantíssimo e deve ser desempenhado com muita capacitação e troca de informações entre as equipes médicas, de forma permanente e bem articulada", destacou.
O trabalho de identificação nas unidades básicas é complexo, porque a covid-19 é uma doença que ainda está sendo estudada e a identificação de sequelas, segundo Nayara, depende das informações novas que chegam diariamente aos hospitais e locais de atendimento de todo o planeta. "Por isso, a troca de informações deve ser permanente e bem articulada. Será o mínimo para a adoção de uma linha de cuidados no tratamento dentro do processo de capacitação das equipes", explicou.
 
A criação do centro multidisciplinar municipal e a retomada dos atendimentos de outras especialidades no AME são fundamentais, entretanto, devem ser feitos de uma forma eficiente para se colher frutos positivos na recuperação dos pacientes com sequelas, comentou Nayara. "É preciso estabelecer responsabilidades específicas para cada setor de atendimento nas unidades básicas e evitar que pessoas com sequelas deixem de ser atendidas", comentou.
 
Não Covid
 
Outra preocupação do Conselho refere-se aos casos de doenças não covid-19 que aguardam agendamento e cirurgia, mas estão represadas e serão atendidas no AME. "O Conselho fez um pedido de levantamento à Prefeitura há quase um mês e não obteve até o momento uma resposta. Queremos saber o volume de agendamentos que estão aguardando e quantas cirurgias devem ser feitas. Casos urgentes devem ser priorizados, pois pacientes com câncer e cardiopatias, por exemplo, podem ter seu tratamento prejudicado, dependendo do estágio em que se encontra a doença", comentou.
 
Sequelados
 
As pessoas que são infectadas pelo vírus da covid-19, desenvolvem a doença e conseguem vencer a batalha pela vida enfrentam, muitas vezes, na sequência, um outro combate: as consequências da doença, que exigem muita resiliência e cuidados.
 
A saga vivenciada pela jornalista Rosana Lee, de 61 anos, é um exemplo de que a doença não é brincadeira e apenas uma "gripezinha". Os primeiros sintomas dela na jornalista surgiram em 31 de maio deste ano, quando já se encontrava vacinada em primeira dose. Rosana sentiu febre e passou a ter tosse. Depois de três dias assim, foi ao hospital da PUC-Campinas e, depois de mais de três horas sem atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), decidiu ir ao Centro Médico, no distrito de Barão Geraldo, buscando atendimento por meio de um plano particular de saúde.
 
Rosana estava com saturação de oxigênio de 37%,quando uma pessoa saudável, com oxigenação adequada do corpo, costuma ter uma saturação acima de 95%. Acabou sendo intubada. Ficou dez dias nessa condição e retiraram os tubos por 24 horas sem sucesso, voltando a ser intubada por mais um período. "Em resumo, deixei os tubos e fiquei um mês em recuperação no quarto do hospital com monitoramento 24 horas. Consegui ter alta depois de 54 dias de internação", resumiu.
 
As consequência da doença foram sentidas logo na saída do hospital. "Não conseguia andar e fui colocada em uma maca até uma cadeira de rodas. Fui para casa de minha mãe, porque meu marido também estava em recuperação em casa, sob os cuidados de minhas filhas", comentou. O marido dela passou pelo mesmo processo de internação e conseguiu sair uma semana antes dela.
 
Rosana contou que ela e o marido tiveram sequelas diferentes. Ambos passaram a ter dificuldades de locomoção e até os dias atuais fazem fisioterapia para recuperar os movimentos. "Meu marido também tem momentos de grande cansaço e sente um pouco de dificuldade na respiração quando se movimenta", disse. "Usamos também, durante um bom tempo, fraldas e percebemos a queda de um volume significativo de fios de cabelos", disse. "Estamos em setembro e avalio que recuperamos 85% da capacidade de movimentação, mesmo com toda a fisioterapia que fazemos", comentou. "Tem que ter resiliência, força de vontade e muita fé", resumiu.
 
A batalha contra as sequelas da covid-19 foi vivenciada também por um promotor de vendas, de 30 anos, que preferiu manter seu nome em sigilo. Ontem, ele obteve alta médica, depois de ficar quase dois meses internado em recuperação no Hospital Metropolitano. Ele relatou que sentiu os primeiros sintomas de covid-19 no início de julho, perdeu o apetite e sentia muita sede. Na sequência, passou a ter uma canseira fora do normal e não conseguia andar. Foi ao Hospital Metropolitano, onde realizaram exames e o encaminharam de volta para casa. Depois de uns três dias, voltou lá novamente, agora apresentando um quadro mais grave, e foi internado, já com a confirmação de covid-19.
 
Segundo ele, não foi necessário ser intubado, mas precisou de monitoramento 24 horas, respirador e muitos cuidados. Depois de 21 dias, finalmente teve alta. "Meu pulmão chegou a um comprometimento de 90% e agora estou bem melhor, mas as sequelas ainda existem", disse. "Sinto dificuldade para me locomover, para respirar e fraqueza. Além do acompanhamento diário pelo celular com os médicos do hospital, vou fazer fisioterapia três vezes por semana, contratada especialmente para recuperar minha capacidade de respiração", comentou. "Não tem previsão de normalidade ainda", resumiu.
 
 
Fonte: Correio Popular