Defesa de psicóloga que procurou hospital com bebê morto na mala diz que gravidez foi 'esperada e desejada'

Defesa de psicóloga que procurou hospital com bebê morto na mala diz que gravidez foi 'esperada e desejada'
Publicado: 08 de dezembro, 2023

 A defesa da psicóloga de 31 anos, que deu entrada na terça-feira (5) em um hospital particular de Campinas (SP) com um recém-nascido morto em uma mala, afirmou que a gravidez da mulher foi "esperada e desejada" e teve todo acompanhamento médico especializado. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), o caso foi registrado como aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento e ocultação de cadáver.

 
A mulher está na UTI, passará por exames psicológicos e, segundo a polícia, ela será presa ainda nesta quarta (6) quando tiver alta. No entanto, o advogado da psicóloga indica que se trata de um caso de provável "psicose puerperal" - um tipo de transtorno pós-parto - e acredita que o judiciário vai revogar a prisão, a qual a defesa considera "injustificável".
 
"Qualquer atitude sua, sob provável psicose puerperal, merece compreensão e acolhimento. Trata-se de situação que causa em seus estados mais agudos inclusive a ruptura com a realidade. Estamos certos de que o judiciário será sensível a isso", disse, em nota, o advogado da mulher, Ralph Tórtima Filho.
De acordo com o delegado que acompanha o caso, o namorado da psicóloga tinha ciência da gravidez.
 
De acordo com um policial militar, a mulher contou que teria escondido a gravidez dos pais e alegou ter sofrido um aborto espontâneo - inicialmente, a informação era de que teria sido no sábado (2), mas o parto, segundo a Polícia Civil, ocorreu na casa da gestante, entre quinta (30) e sexta (1).
 
 
Segundo a OMS, o termo aborto é utilizado quando a interrupção da gravidez ocorra até a 22ª semana - veja mais abaixo.
 
Moradora de Itu
De acordo a PM, foi constatado que o bebê do sexo masculino, com 3,7 kg e 50 cm, "apresentava sinais evidentes de morte e rigidez", que indicavam o óbito superior a um dia.
 
Moradora de Itu (SP), a psicóloga teria dito ainda que logo após "o aborto espontâneo", colocou o bebê em uma mala e o escondeu em uma estante.
 
Ela compareceu ao hospital na terça, com os pais, para pedir ajuda. A Polícia Militar foi acionada ao local e a acompanha no quarto.
 
O Hospital São Luiz, onde a psicóloga está sendo atendida, não irá se posicionar sobre o caso.
 
Aborto ou óbito fetal?
Maria Laura Costa do Nascimento, professora do departamento de Obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, explica que é considerado aborto quando a interrupção da gravidez ocorre até a 22ª semana de gestação. "Depois disso considera-se óbito fetal, se morte intrautero (ocorrida dentro do útero)", diz.
 
Segundo a profissional, é possível que uma gestante entre em trabalho de parto com o bebê morto. A médica destaca que por meio de análises de características do corpo do recém-nascido identificar se a morte ocorreu no útero ou não.
 
Um documento da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) classifica o "abortamento como síndrome hemorrágica da primeira metade da gravidez, que a Organização Mundial de Saúde (OMS) define como a interrupção da gravidez antes de 22 semanas, ou com um feto até 500g, ou de 16,5 cm, quer dizer, antes de atingida a viabilidade".
 
Ainda segundo o protocolo sobre "classificação, diagnóstico e conduta" da Febrasgo, o abortamento representa "a quarta causa de mortalidade materna no Brasil."
 
Fonte: G1