Departamento de Aposentados e Licenciados faz seu primeiro encontro repleto de emoção e histórias
Muito da história do sindicalismo brasileiro e do Sinsaúde está guardada na memória daqueles que lutaram muito e agora vivem a aposentadoria. Por isso, o primeiro encontro de lançamento do Departamento de Aposentados e Licenciados, ocorrido na Sede Central, em Campinas, nesta quarta-feira (19) aconteceu debaixo de muita emoção e resgate de memórias de lutas.
“Feliz quem tem história para contar”, abriu o encontro o presidente do Sinsaúde e da Federação Paulista de Saúde, Edison Laércio de Oliveira. “Desde quando comecei a pensar em voltar para o Sindicato, pensava em reativar o departamento de aposentados”, confessou. “Queremos que este seja um espaço em que se divirtam, se encontrem, sejam felizes”.
Quase toda a diretoria de Campinas e de algumas cidades da região estava presente na atividade. A nova gestão do Sindicato conta com muitos jovens que compõem, com os mais experientes, a diretoria. Eles assistiram um vídeo de boas-vindas junto com os 67 aposentados vindos de Araras, Araraquara, Atibaia, Bragança Paulista, Amparo, Mogi Guaçu, Vinhedo, Campinas, entre outras, que compareceram ao encontro.
A diretora Cida Santos disse estar muito feliz em voltar a coordenar o Departamento de Aposentados e Licenciados. “Passei por este departamento e agora retorno. Gosto muito de trabalhar com este grupo. Sejam todas bem-vindas e bem-vindos. Estou com a força total e vontade para fazer os nossos encontros. Conto com todos vocês”, chamou.
O próximo encontro ainda não tem data marcada, mas já sabemos que terá como trilha sonora o forró. Sugestão de Pedro Pereira da Silva, de 74 anos, acatada pelo presidente Edison na mesma hora, que já escalou o diretor sindical Wendel Oscar como DJ da festa.
A vice-presidente do Sinsaúde, Juliana Machado, agradeceu a presença e a história de todos que compareceram. “Este é um pacto geracional. Tudo que a gente tem de equipamento e direitos foi por causa da luta de vocês. Sem luta não se conquista nada”, agradeceu.
Histórias bem contadas
Dona Dirce Zago, 85 anos, não quis falar ao microfone, mas contou sua história. Aposentou-se como Técnica de Farmácia no Hospital Albert Sabin, que antes foi Hospital Santo Antonio e antes ainda Socorros Mútuos, antigo Coração de Jesus, atual Renascença, explica ela, resgatando do fundo “computador”, como ela chama sua boa memória.
Começou em 1961 e trabalhou até 1992. “Foi difícil, mas sou muito grata por tudo que conquistei trabalhando”. Ela lembra que sempre foi sócia e que conheceu o presidente Edison “jovenzinho”, quando ainda era guardinha. Edison também se referiu a este tempo com carinho, quando trabalharam juntos e que pegava carona com Modesto, que estava ao lado de dona Dirce no encontro dos aposentados nesta quarta. Ela tirou uma foto ao lado do homem com quem está casada há 57 anos. Ela que sempre foi sócia, quando trabalhava e cuidava da família ia pouco ao Clube. “Agora vou bastante, amo o Clube”, conta.
O Pedro Pereira da Silva, de 74 anos, dançarino de forró, trabalhou por mais de 20 anos na Santa Casa de Campinas como segurança e marceneiro. Estava numa roda animada de conversa com as amigas da sua época de hospital, as auxiliares de Enfermagem Maria de Nazaré, de 76 anos, Maria de Lourdes do Santos, de 66, Maria Madalena Barreto, de 72, e Aparecida Fátima de Oliveira, 71 anos. Todos com mais de 20 anos de Santa Casa de Campinas. “Lá era uma irmandade mesmo”.
Dona Maria Clara de Jesus Rocha, de 81 anos, estava muito animada com o encontro. Ela foi parteira e técnica de Enfermagem por 51 anos. Começou em Casa Branca, aposentou-se na Santa Casa de Vinhedo e não se lembra de quantas vidas ajudou a trazer ao mundo. “Antes só trabalhava e cuidava dos filhos. Agora estou livre para curtir as coisas do sindicato”, afirma ela ansiosa por uma excursão com os colegas aposentados. Ela veio acompanhada de Edna Maria Furlan, de 69 anos, além de mais quatro colegas da Santa Casa de Vinhedo.
Muitas histórias de luta foram contadas. Maria Nazaré, da Santa Casa de Campinas, 76 anos, mostrou disposição para contribuir ainda mais na luta. “Na hora de lutar nós não tínhamos problema, íamos onde quer que fosse. Tenho orgulho, satisfação, alegria de estar aqui. Deus abençoe este lugar. Vamos mostrar pra essa juventude que nós somos importantes para a humanidade”, afirmou.
Maria Rosa foi diretora do Sinsaúde por 15 anos. “Trabalhei na limpeza do Hospital da PUC por 35 anos. Dávamos plantão no Clube de Campo. Doces lembranças aqui do Sindicato. Desejo muita coragem para vocês nas batalhas para vencer”.
Emocionado ao microfone, Antônio Carlos da Silva, de 74 anos, técnico de ortopedia desde 1970, contou sobre a luta pelo adicional de insalubridade na Beneficência Portuguesa e seus 40 anos na enfermagem. Maria Marta Borella, 70 anos, se aposentou na Clínica Sayão, de Araras. “A gente lutou por cesta básica, começamos a luta com 2 ou 3 pessoas e persistimos até vencer”, complementou ela cheia de energia, fazendo uma paródia com a campanha Saúde, SIM; Violência, Não!: “Aposentado sim, parado não!”, bradou.
Cheia de força e vontade estava Lucia Helena Cega, de Itapira. “Nós somos o gás que vai inflamar os que estão vindo. Ano que vem com todo vapor”, falou ao microfone.
O diretor Jurídico Paulo Gonçalves fechou os discursos homenageando os presentes e o Sindicato. “Estou honrado em estar com vocês. Honrado em carregar a bandeira do Sindicato. Vocês conquistaram cesta, jornada, folga e muita mais benefícios que a juventude, que hoje não sabe o tamanho da luta que foi para conquistar”, pondera.
Já a ex-presidente e atual Tesoureira do Sinsaúde, Sofia Rodrigues do Nascimento, agradeceu a presença de cada um. “Aqui é a casa de vocês. Aqui tem a mão de cada um de vocês que ajudaram a construir isso tudo”, finalizou.
Fonte: Sinsaúde Campinas e Região