Desafio na saúde

Desafio na saúde
Publicado: 07 de outubro, 2020

 Situação identificada há alguns anos, a baixa adesão às campanhas nacionais de vacinação encontra, neste ano, desafios ainda maiores por causa da pandemia da Covid-19. Se em condições normais, a cobertura vacinal estava em queda, quais poderão ser os resultados da Campanha Nacional Contra a Paralisia Infantil, doença considerada erradicada no Brasil?

 
Prevenir a paralisia infantil é obrigação do poder público, mas também dos pais. De 1988 a 2018, o mundo registrou uma queda de 350 mil casos para 29, graças à melhoria dos índices de imunização. Mas, apesar disso, os riscos não acabaram.
 
É verdade que poucos países não têm o controle total da doença e de cepas do vírus. Mas, isso ainda acontece e os riscos são reais, inclusive após a pandemia, quando a movimentação entre portos e aeroportos for restabelecida.
 
Convém lembrar que a migração de grandes grupos de pessoas afetadas por situações políticas, religiosas, étnicas e econômicas é uma marca dos temos atuais.
 
A reincidência de doenças infecciosas como sarampo e paralisia infantil vem a reboque das movimentações dos povos. No caso da paralisa infantil, assim como a Covid-19, a maior parte das infecções provocadas pelo vírus da poliomielite é assintomática. Em 1% dos casos, o sistema nervoso central é atacado e a destruição dos neurônios centrais leva à fraqueza muscular e paralisia flácida aguda.
 
As gerações mais novas não conhecem a severidade da doença combatida com duas gotinhas.
 
É obrigação dos governos melhorar a comunicação e o diálogo com a população e os trabalhadores da saúde.
 
O sarampo é exemplo didático. Também considerado controlado, ele voltou a fazer vítimas, inclusive, no Brasil, por falhas na vacinação.
 
Há uma grande cruzada contra as vacinas, movida por falsas e desencontradas notícias e o negacionismo tão bem delimitado durante a pandemia, em todo o mundo. A cruzada ideológica provoca um cansaço em quem não pode se contaminar: formadores de opinião, professores, médicos, gente que faz a diferença diante da opinião pública.
 
Romper esse ciclo, salva vidas. E isso se faz não apenas com a informação precisa de qualidade, mas também mostrando a população como os postos de vacinação se prepararam para receber as crianças e adolescentes para a vacinação. Aliás, outras vacinas em atraso podem fazer grandes estragos na vida das crianças, jovens e famílias.
 
Fonte: O Diário