'Dia 30, vote por eles'. Bolsonaro tenta esconder os mais de 687 mil mortos pela covid

'Dia 30, vote por eles'. Bolsonaro tenta esconder os mais de 687 mil mortos pela covid
Publicado: 21 de outubro, 2022

 O candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) tenta invisibilizar os mais de 687 mil mortos pela covid-19 nesta pandemia que ainda não tem data para acabar. Assim como quer “jogar para debaixo do tapete” o sofrimento dos familiares que perderam seus entes queridos e das das centenas de milhares que sobreviveram ao novo coronavírus, com suas sequelas e traumas.

 
O desabafo foi feito à RBA pela assistente social e pós-graduanda em Direitos Humanos Paola Falceta, presidenta e fundadora da Avico Brasil, associação que reúne vítimas e familiares da covid. A entidade oferece assistência psicológica, jurídica e social a sobreviventes da doença e parentes dos mortos pela infecção, além de auxílio em reivindicações trabalhistas e previdenciárias. O grupo atua ainda buscando reparação na Justiça em relação à negligência do governo Bolsonaro.
 
 
Integrantes da entidade fizeram mais um ato hoje (20) na Praça dos Três Poderes, em Brasília, chamando atenção para a necropolítica do atual governo. Com o mote “Dia 30, vote por eles”, a campanha terá novo manifesto neste domingo (23), na Avenida Paulista, em São Paulo.
 
“Além da dor da perda de nossos amores, enfrentamos a luta diária contra as ‘fake news’ bolsonaristas, que estão aí a mil por hora, cada vez mais violentas, que nos massacram. O governo nega morte de crianças e adolescentes. É a necropolítica e o negacionismo”, disse Paola, referindo-se à fala de Bolsonaro.
 
 
Bolsonaro e as mortes pela covid
“Você não viu moleque morrendo de (corona)vírus por aí. Alguém conhece algum filho de alguém que morreu de (corona)vírus?”, questionou o Presidente da República e candidato à reeleição recentemente, em entrevista. Porém, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no período de 4 de setembro a 1 º de outubro deste ano, 437 crianças foram hospitalizadas por complicações da covid no Brasil. Destas, 17 menores de 5 anos morreram. Sem contar a demora para aquisição e distribuição para a rede pública da vacina para esta faixa etária, apesar do aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
 
Paola perdeu a mãe de 81 anos em abril de 2021. E ela própria foi infectada, assim como a irmã e o sobrinho, os três com sintomas brandos. Ela critica também o fato de, prestes a completar três anos e longe de ter data para acabar, a pandemia ainda é tratada com descaso pelo atual governo. “Vivemos a negação da pandemia, Crises na gestão, como a falta de oxigênio em Manaus, cuja explosão de casos já era alertada por especialista da Fiocruz. Tivemos problemas com a vacina. E não temos até hoje uma política de atenção para as pessoas que sobreviveram, que têm sequelas”, criticou.
 
A Avico participou da produção do documentário Eles Poderiam Estar Vivos, que investiga e expõe o desastre sanitário da condução de Bolsonaro ante a pandemia de covid no Brasil. O longa-metragem, que estreou em 22 de setembro, é de autoria de Lucas Mesquita – que após perseguição do ex-juiz Sergio Moro o chamou de “Tchutchuca de Genocida” – e seu irmão, Gabriel Mesquita.
 
Fonte: Rede Brasil Atual