Aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão mais endividados esse ano. Dados do Banco Central (BC) mostram que, entre janeiro e setembro desse ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, as dívidas por meio do consignado (modalidade de crédito com desconto em folha) aumentaram: nos nove primeiros de 2017, o montante em crédito liberado atingiu R$ 113,1 bilhões, acima dos R$ 99 bilhões de 2016.
A alta no período é de R$ 14,2 bilhões, um novo recorde na modalidade que costuma ter aposentados e pensionistas como alvos. No mesmo período, por exemplo, as dívidas de servidores públicos, que totalizam R$ 174,7 bilhões nessa modalidade de crédito, aumentaram 4,2% e as de trabalhadores da iniciativa privada recuaram 4,6%.
Na semana passada, o INSS, através do Conselho Nacional de Previdência (CNP), alterou a resolução que regulamenta a concessão de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas. A mudança ampliou de seis para nove a quantidade máxima de contratos ativos para empréstimo pessoal com desconto em folha. O órgão não alterou, porém, a chamada margem consignável. Com isso, o aposentado continua podendo comprometer até 35% da renda com o consignado, sendo 30% com o empréstimo comum e 5% com o cartão de crédito, modalidade criada em 2015.
Mesmo com as facilidades desse tipo de crédito e taxas de juros menores — atualmente em 2,14%—, em relação a outras modalidades, empréstimos devem ser feitos com cautela. Antes de fazer qualquer contrato e assumir uma dívida, o consumidor deve sempre analisar se realmente precisa do dinheiro.
— Muitos aposentados, por exemplo, além dos gastos mensais, ainda costumam ajudar a família, o que faz com que muitos busquem o consignado para ter renda complementar. Contudo, é preciso que, antes de assumir dívidas, o consumidor faça as contas para avaliar a real necessidade do empréstimo, pois uma facilidade pode gerar dor de cabeça para quem não tem organização financeira — destaca Reinaldo Domingos, especialista em educação financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).
EVITE PROBLEMAS
Apesar de possuir juros menores, quando comparado a outras modalidades de empréstimo (cheque especial, cartão de crédito e empréstimo pessoal), o consignado também é uma operação de crédito e haverá cobrança de juros. Faça uma avaliação do quanto isso vai comprometer seu orçamento.
Taxas
É dever do banco informar o valor total financiado, a taxa mensal e anual de juros, número e periodicidade das prestações e a soma total a pagar por empréstimo. Ao assinar o contrato, exija uma cópia.
Depósito
O valor do empréstimo deverá ser creditado diretamente na conta em que a pessoa recebe o benefício. Caso o pagamento de benefícios seja na modalidade cartão magnético, o depósito deverá ser feito em conta corrente ou conta poupança da qual o beneficiário também seja titular ou por ordem de pagamento depositada na agência ou banco em que o segurado recebe do INSS
Pagamento
Por se tratar de uma operação de concessão de crédito, você terá direito ao abatimento proporcional de juros e encargos, caso opte pela antecipação de parcelas do empréstimo consignado.
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