Em todo o Brasil, manifestantes tomam as ruas contra o golpismo da ultradireita bolsonarista
Sem anistia! Este foi o grito que ecoou pelo país, na segunda-feira (9), quando dezenas de cidades sediaram atos em defesa das liberdades democráticas e contra as ameaças golpistas praticadas por bolsonaristas.
A plenos pulmões, os manifestantes deixaram claro que não haverá esquecimento, muito menos perdão, aos que defendem um golpe militar no Brasil, em especial, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Foi uma resposta rápida e enfática. 24 horas após bolsonaristas atacarem os prédios dos Três Poderes, em Brasília, centenas de milhares tomaram as ruas das principais cidades brasileiras pedindo a investigação e punição a todos os envolvidos no ato golpista do domingo (8).
Nas faixas, cartazes, palavras de ordem e discursos das liderança que subiam nos caminhões de som o que se viu foi a exigência de que Bolsonaro, sua família e políticos aliados da extrema direita sejam responsabilizados e punidos pelas cenas de terror vistas na capital federal.
Na manifestação em Brasília, o governador afastado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Ibaneis Rocha, foi alvo de protestos. As imagens que circulam nas redes sociais comprovam o apoio das forças de segurança (sob a responsabilidade de Ibaneis) aos fanáticos bolsonaristas.
Os empresários que financiam o golpismo também estiveram na mira dos trabalhadores que foram as ruas. A enorme estrutura dada aos criminosos só pode existir com muito dinheiro. Por, isso foi exigida a prisão e a expropriação dos bens dos patrões bolsonaristas.
Grande amplitude
Não houve uma região do Brasil que deixasse de abrigar a luta contra o golpismo. Pelo menos 16 capitais tiveram mobilizações de grandes proporções. No total, a estimativa é de que 70 cidades contaram com atos em vias públicas.
A luta também se estendeu a outros países. Na Alemanha, Argentina, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Itália, Reino Unido e Suíça, brasileiros e estrangeiros manifestaram repudio ao quebra-quebra protagonizado por aqueles que defendem a volta da Ditadura Militar.
Em São Paulo
Reunindo cerca de 60 mil pessoas na Avenida Paulista, o maior ato do dia ocorreu na cidade de São Paulo (SP). Por volta das 18h, uma multidão já se reunia em frente ao MASP, tradicional ponto de encontro para manifestações.
A coluna organizada pela CSP-Conlutas contou com representantes da luta por moradia, com o Luta Popular, movimentos da juventude, além de trabalhadores de diferentes categorias, como professores, metroviários, metalúrgicos, funcionários públicos e bancários.
“Não vamos aceitar golpe, muito menos que essas pessoas fiquem impunes. A gente sabe que essa democracia é dos de cima, que é burguesa, mais ainda assim importante que a gente se mantenha firme na luta”, afirma Vanessa Mendonça, do movimento Luta Popular e moradora da ocupação dos Queixadas, em Cajamar (SP).
“A gente também sabe com a gente, o povo pobre, preto, trabalhador das periferias, é sempre tiro porrada e bomba. Por isso estamos na rua dizendo: não vai ter golpe!”, conclui.
O ato terminou às 21h, em frente a Praça Roosevelt, no bairro República, após ter percorrido toda Rua Augusta. Durante todo o trajeto, os manifestantes receberam inúmeros apoios daqueles que passavam nas vias.
“É preciso enfrentar a atual situação com o povo na rua. A CSP-Conlutas faz o chamado as organizações da classe trabalhadora para mobilizar a população em defesa das liberdades democráticas. Não demonstramos nenhuma confiança nas instituições deste regime que se mostra incapaz de enfrentar a extrema direita”, afirma Luiz Carlos Prates, o Mancha, presente no ato.
Chamado a unidade
Altino Prazeres, metroviário e integrante da Secretaria Nacional da CSP-Conlutas, falou aos manifestantes no ato em São Paulo e salientou que no combate a ultradireita será fundamental a unidade entre os trabalhadores e o sentimento de unidade de classe.
“Onde vocês verem trabalhadores lutando, quando verem sem tetos e sem terra lutando, temos de lembrar que somos irmãos de classe. Os estudantes também vão se lembrar que serão trabalhadores. A nossa luta é pra acabar com a escravidão do capital. Viva o socialismo e abaixo a burguesia”, concluiu Altino.
A revogação na íntegra das reformas trabalhista e da Previdência, bem como do chamado Novo Ensino Médio, também foram defendidas pela CSP-Conlutas ao longo das manifestações. É com este espírito de luta por melhorias que a classe trabalhadora irá se fortalecer contra a ameaça golpista.
A rápida reação mostrou o potencial de mobilização. É preciso um grande dia nacional de luta maior e com mais força. Somente a mobilização popular e a autodefesa dos trabalhadores são capazes de fazer a ultradireita recuar. Exigimos a punição dos envolvidos e o atendimento das reivindicações dos trabalhadores
Fonte: CSP-Conlutas - 10/01/2023