Entidades tentam evitar aparelhamento de comissão do SUS por grupo pró-cloroquina

Entidades tentam evitar aparelhamento de comissão do SUS por grupo pró-cloroquina
Publicado: 19 de janeiro, 2022

 Associações de médicos, pacientes e técnicos que atuam na avaliação de tecnologias de saúde tentam evitar o aparelhamento da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) pela ala do governo que defende o uso de medicamentos sem eficácia para a Covid-19, como a hidroxicloroquina.

 
A mobilização é para evitar a demissão de Vania Canuto do comando do colegiado que elabora pareceres sobre a incorporação de novos tratamentos ao SUS (Sistema Único de Saúde). Como mostrou a Folha, a ala pró-kit Covid do governo quer emplacar no cargo o biólogo Regis Bruni Andriolo, que é defensor do chamado tratamento precoce.
 
O pedido de demissão de Canuto e a indicação de substituto foram feitos por Hélio Angotti, secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, depois de a servidora votar na Conitec a favor de parecer que contraindica o uso dos medicamentos sem eficácia para a Covid.
 
A exoneração é apontada como provável, mas a nomeação de Andriolo perdeu força, dizem integrantes do governo. A falta de definição sobre o substituto no cargo arrasta a saída de Canuto, que foi encaminhada por Angotti no fim de 2021.
 
Além disso, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, quer evitar o desgaste de assinar a demissão da servidora e tenta convencê-la a pedir a saída do cargo, o que não deve ocorrer, ainda de acordo com autoridades que acompanham as discussões.
 
Canuto é a atual diretora do DGITIS (Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovações em Saúde), função que comanda a Conitec.
 
O movimento ocorre no momento em que o ministério trava a publicação de pareceres que contraindicam o uso de medicamentos sem eficácia para a Covid.
 
Esses textos foram aprovados em junho e dezembro de 2021 pela Conitec, mas a publicação das diretrizes está sendo postergada pela Secretaria de Ciência e Tecnologia da pasta, comandada por Angotti, para evitar uma mancha às bandeiras negacionistas do governo Jair Bolsonaro (PL).
 
Fonte: Folha de SP