Especialistas cobram regulação e atuação de plataformas digitais para garantir proteção de crianças e adolescentes
Especialistas cobraram a regulação das plataformas digitais e a atuação das empresas para garantir a proteção de crianças e adolescentes, em audiência sobre o uso de tecnologia e o excesso de telas por esse público na Câmara dos Deputados. O debate foi promovido pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação nesta quarta-feira (14) a pedido da deputada Luisa Canziani (PSD-PR).
Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023, 95% da população de 9 a 17 anos é usuária de internet no país. Fundador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Cristiano Nabuco destacou que a média de tempo gasto na internet por dia, no mundo, é de 6h37, enquanto no Brasil a média é de 9h15, sendo 3h37 interagindo em redes sociais. Além disso, o pesquisador afirmou que o Brasil é o terceiro colocado no mundo em dependência de telas entre crianças.
Os problemas causados pelo uso excessivo das telas incluem depressão, ansiedade, isolamento social e perda de memória recente, além de outros impactos cognitivos, como menor criatividade e prejuízos ao desenvolvimento da linguagem.
Providências
De acordo com o médico, é preciso que, juntos, governo, organizações acadêmicas, especialistas em saúde pública e empresas estabeleçam padrões de uso saudável e seguro, adequados à idade, nas plataformas digitais.
Além disso, é preciso proteger as crianças de conteúdos nocivos – como postagens que incentivem transtornos alimentares, violência, abuso de substâncias, exploração sexual e suicídio.
Cristiano Nabuco defende ainda que as empresas compartilhem dados relevantes sobre o uso das redes por crianças e adolescentes. “Essas empresas de mídia precisariam urgentemente ser auditadas ou compartilhar de maneira clara esses dados que elas têm", cobrou.
"A grande pergunta que as publicações internacionais vão trazer é a seguinte: por qual razão a sociedade civil paga o preço da falta de transparência de uma política mais clara com relação a toda essa prática?”, questionou.
Uso qualificado
Diretora-Executiva do Instituto Alana, organização da sociedade civil em defesa das crianças, Isabella Vieira Henriques lembrou que o ambiente digital não foi criado para as crianças e que grande parte dos conteúdos consumidos por elas não são amigáveis ou sensíveis às peculiaridades delas.
Esses conteúdos, segundo ela, foram criados com base na economia da atenção – ou seja, foram criados justamente para prender a atenção do usuário – e com modelo de negócios baseado na exploração comercial de dados.
Isabella citou dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023 mostrando que 88% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos que acessam a internet têm perfil em plataformas digitais, mesmo que os termos de uso limitem o acesso a maiores de 13 anos.
Fonte: Agência Câmara de Notícias