Esperança e luta marcam festa do trabalhador em São Paulo
Dia do trabalhador, não é somente um feriado, apesar de ter caído em um domingo neste ano, mas é o momento de manifestar o desejo de melhores condições de trabalho e respeito pelos trabalhadores e trabalhadoras e após dois anos, finalmente foi comemorado presencialmente em São Paulo e em várias regiões do Brasil.
Em São Paulo foi realizada na Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, reunindo as centrais sindicais (CUT, CTB, NCST, Força Sindical, Intersindical, Pública e UGT, além disso lideranças políticas como Guilherme Boulos, Fernando Haddad e o ex-presidente Lula.
E a volta do evento de forma presencial em um momento tão difícil e complicado para o trabalhador brasileiro que vive em meio às dificuldades econômicas que o país passa neste momento.
O tema da festa de 1º de maio foi “Emprego, Direitos, Democracia e Vida” e ainda ouviu gritos de “Fora Bolsonaro”.
Atos pró-Bolsonaro e ataques ao STF foram realizados pelo país, bem esvaziados, mas tentam subverter o significado do Dia do Trabalhador.
O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, criticou essas pessoas que tentam se apoderar da bandeira do Dia do Trabalhador, que é histórica, de defesa da pauta da classe trabalhadora por mais empregos de qualidade, mais renda e mais direitos. “O gás de cozinha, citou Torres, “subiu 19% e este reajuste afeta quem? Afeta principalmente a população mais pobre do nosso país”, disse o sindicalista. “Temos que ir às ruas unidos em defesa da classe trabalhadora”, defendeu o sindicalista que bradou no encerramento de sua fala ao público presente que “o povo unido jamais será vencido'. A luta faz a lei”.
Assim como citado o alto valor do gás de cozinha que afeta os pobres, que logo não conseguirão cozinhar, o aumento de pessoas na linha da pobreza se torna visível para todos.
“O país tem 220 milhões de habitantes e nós vamos ter um governo desse infeliz com mais de 110 milhões de pessoas no Brasil na linha da pobreza e da miséria”, disse José Francisco Filho, secretário de finanças da NCST.
O Brasil morreu
O governo brasileiro desde 2019 está vendo que a população está empobrecendo, a fome presente, mais pessoas nas ruas, inflação passando dos dois dígitos e eles não fazem nada para tentar mitigar essa situação e despejar Bolsonaro do Palácio do Planalto.
“Este governo matou o Brasil e o povo brasileiro tem a tarefa de eleger novamente o presidente Lula, com todo respeito aos demais candidatos, mas a única candidatura que tem condições de derrotar Bolsonaro é o Lula. E ele não vai estar sozinho nessa tarefa, nós estaremos ao seu lado para reconstruir o Brasil”, afirmou Sérgio Nobre, presidente nacional da CUT.
“O atual governo não negocia com os trabalhadores organizados”, assim falou o pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e o que fez foi tentar desorganizar a classe trabalhadora e aprovar o máximo de medidas que retirem o direito de todos.
"Ele luta para desorganizar e, com isso, as grandes empresas estão aumentando suas margens de lucro não às custas de tecnologia e produtividade, mas às custas do salário que vem diminuindo e isso não é bom”, afirmou Haddad.
Lula
O ex-presidente da República Lula pode discursar para os milhares de trabalhadores e trabalhadoras presentes.
Lula falou sobre o caso da Marielle Franco, que até hoje não sabemos quem matou e quem mandou, falou sobre a valorização do salário mínimo e a volta do diálogo com os sindicalistas.
Lula reafirmou que ainda não é candidato à presidência e que estava ali para falar sobre as questões dos trabalhadores e direcionando o seu discurso para os mais jovens.
“Todos vocês, mesmo os jovens, têm um parente que já viveu melhor quando eu governava esse país. No tempo em que eu governava o salário mínimo tinha aumento real. Além da inflação, a gente dava o valor do crescimento do PIB [Produto Interno Bruto} do ano anterior. Isso fez o mínimo ter 77% de aumento real”, lembrou Lula.
Segundo o ex-presidente, o atual governo diz que não poder dar aumento real, porque gera inflação, mas seu governo mostrou ser possível. “Depois de Getúlio Vargas [ex-presidente que instituiu o salário mínimo], poucos tiveram coragem de discutir o poder aquisitivo do povo brasileiro”.
“Vocês leram que a inflação é a maior dos últimos 27 anos. Isso significa que o salário mínimo diminuiu, o carrinho tem menos compra. Na mesa na hora de almoço têm menos alimentos para suas famílias comerem. Nossa luta será a de diminuir a inflação e aumentar salários para que o povo possa comer e viver melhor nesse país”, afirmou Lula.
A fome foi outro tema abordado por Lula e citou que 19 milhões de pessoas passam fome e 116 milhões por alguma insegurança alimentar, e que somente com emprego é que a fome será combatida. Segundo Lula, nos governos do PT , foram abertas 22 milhões de vagas de emprego com carteira assinada. E as centrais sindicais sabem que 90% dos acordos salariais tiveram aumento real e hoje apenas 7% têm.
“Se preparem, se tivermos um novo presidente, ao invés de ficarem xingando [Bolsonaro] vamos sentar numa mesa de negociação para a gente restabelecer as condições de trabalho e os direitos dos trabalhadores”.
Durante o governo do Lula, as centrais sindicais sempre foram recebidas e participaram de discussões para melhorar o país e enquanto esse governo era fácil conversar e com esse atual governo nunca se reuniu com os dirigentes sindicais.
A festa do trabalhador
Além das intervenções de políticos e dirigentes sindicais contou com shows de Dexter, DJ KL Jay, Leci Brandrão, El Hombre e Daniela Mercury.
Fonte: Redação Mundo Sindical - Manoel Paulo com informações da CUT e Força Sindical / Foto: Roberto Parizotti