Estoque de kits intubação é crítica nos hospitais de Ribeirão Preto, diz secretário: 'Corda bamba'

Estoque de kits intubação é crítica nos hospitais de Ribeirão Preto, diz secretário: 'Corda bamba'
Publicado: 15 de abril, 2021

 A Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto (SP) informou nesta quarta-feira (14) que é crítica a situação dos estoques dos kits intubação usados por pacientes com Covid-19 internados em leitos de terapia na cidade.

 
Segundo o secretário Sandro Scarpelini, no Hospital Santa Lydia, o estoque de relaxantes pode acabar em três dias. O chefe da pasta atribui o problema ao Ministério da Saúde devido a uma requisição administrativa para os medicamentos feita em março.
 
“Em Ribeirão Preto, ainda não houve de alguém ficar sem o medicamento, mas estamos sempre na corda bamba em decorrência dessa falta de compromisso do Ministério da Saúde de mandar esses medicamentos para os municípios, não só Ribeirão Preto, mas para toda região e todo estado de São Paulo.”
 
Prevista na Constituição, a medida de requisição administrativa permite, em situação de emergência, que o Estado use bens privados para resguardar o interesse público e depois indenize os gastos.
 
Mas, segundo o secretário, os kits compostos por sedativos e neurobloqueadores, usados para relaxar a musculatura, a caixa torácica e ajudar os pacientes a permanecer com ventilação mecânica e a suportá-la, não chegam.
 
“Nessa semana, especificamente no domingo, tínhamos que receber um carregamento que não chegou. Estamos vivendo uma situação de incerteza.”
 
De acordo com Scarpelini, a Fundação Santa Lydia tem contratos de compras de insumos com laboratórios. No mês passado, o Ministério Público chegou a mover uma ação, em caráter liminar, para que a administração recebesse os medicamentos, mas o pedido foi negado em razão da determinação do governo federal.
 
A direção da Santa Casa de Ribeirão Preto divulgou que o estoque dos kits dura só mais sete dias e que comprar agulhas e seringas não está fácil.
 
O governo de São Paulo cobrou do Ministério da Saúde o recebimento dos remédios. Em ofício, o secretário estadual Jean Gorincheteyn documentou que o atual estoque acaba ainda nesta quarta-feira e que precisa repor as demandas de 643 hospitais no estado.
 
"É imprescindível o envio de medicamentos para o estado de São Paulo em até 24 horas, minimamente para suprir o abastecimento de 643 hospitais pelos próximos 10 dias", afirmou o secretário no pedido.
 
No Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto, o maior da região, o estoque é suficiente para duas semanas, mas a compra dos medicamentos para reposição já está atrasada.
 
“A gente vinha conseguindo comprar e ter reposição, com alguma dificuldade, mas essa dificuldade aumentou e agora estamos preocupados. Para as próximas duas semanas nós temos no estoque, o que dá uma certa tranquilidade, mas como nós estamos tendo mais dificuldade para conseguir novas aquisições, essa preocupação é maior neste momento do que era há algumas semanas atrás”, diz o superintendente Benedito Maciel.
 
O chefe do hospital afirma que os preços também subiram, o que dificulta as negociações.
 
“O que nós temos observado é que como fazemos o registro de preços, o preço vale por um ano, mas como a demanda aumentou e a produção caiu, algumas empresas estão pedindo realinhamento para entregar. Estamos discutindo isso com elas para ver o que pode ser feito.”
 
O que diz o Ministério da Saúde
Nesta quarta-feira, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que o governo discute a ampliação da oferta dos kits.
 
“O governo federal, através de iniciativa conjunta com a Organização Panamericana de Saúde (Opas) vai fazer uma compra direta, já fez uma compra direta, e esperamos que nos próximos dez dias nós tenhamos um estoque regulador fortalecido para acabar com essa luta do dia a dia de dar suporte às secretarias estaduais e municipais”, afirmou o ministro.
 
“Além disso, o governo vai fazer um pregão internacional para adquirir esses fármacos, de tal sorte a fortalecer mais ainda essas iniciativas”, completou Queiroga.
 
Em seguida, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que pediu ao presidente Jair Bolsonaro a sanção do projeto de lei que permite “a aquisição de leitos e o credenciamento de leitos de UTI com participação da iniciativa privada”.
 
Pacheco disse ainda que fez um apelo ao ministro para que haja a antecipação do cronograma de vacinas ao ministro.
 
“Fizemos a súplica ao senhor ministro da Saúde para que possa tratar antecipação do cronograma e identificação das formas de antecipar o cronograma para que tenhamos população toda ela vacinada em 2021 da forma mais breve possível”, afirmou.
 
Fonte: G1