Estudo do Dieese trata do tempo de trabalho e tempo de descanso: uma luta histórica
A luta pela redução da jornada de trabalho é parte da história da organização da classe trabalhadora no capitalismo. Desde o início, um dos fatores que impulsionaram a organização dos trabalhadores foi a reivindicação da limitação das horas de trabalho. É uma demanda que enfrenta resistência muito acirrada porque o tempo de trabalho está no centro da organização capitalista, isto é, da exploração. No Brasil, a situação não foi diferente. Apesar das dificuldades para ampliar ou até mesmo garantir o tempo livre conquistado, essa luta retorna periodicamente à agenda da classe trabalhadora e dos sindicatos como forma de preservar e ampliar o tempo livre conquistado.
Como se sabe, na relação assalariada, o trabalhador e a trabalhadora vendem a força de trabalho por determinado intervalo de tempo, em troca de remuneração. Nesse contrato, o tempo do trabalhador e da trabalhadora fica à disposição da empresa contratante, que o utiliza conforme os próprios interesses, observadas certas condições, respeitando os limites estabelecidos pela legislação, nas convenções e nos acordos de trabalho, coletivos e individuais. Para a empregadora interessa que tais restrições ao uso da força de trabalho sejam as menores possíveis.
Para aumentar os lucros, a empresa tem interesse no menor custo possível, por isso busca reduzir o valor por hora, estender a jornada, intensificar o ritmo de trabalho e utilizar esse tempo do trabalhador da forma mais vantajosa possível. Recentemente, o debate sobre a organização do tempo de trabalho e tempo de descanso ganhou novo fôlego com o movimento “Vida Além do Trabalho” (VAT), que defende o fim da escala de trabalho conhecida como 6 x 1 (seis dias de trabalho para apenas um de descanso). A iniciativa reacende o debate sobre como as atuais formas de exploração do trabalho geram exaustão física e mental, além de restringir o acesso ao lazer, à cultura, aos estudos, ao convívio familiar e ao melhor compartilhamento das tarefas de cuidado entre homens e mulheres.