Falta de acordo na audiência no TRT faz funcionários da Santa Casa de Presidente Epitácio manterem greve
Funcionários que atuam na Santa Casa de Presidente Epitácio já estão no 12º dia da
greve que teve início no dia 4 de fevereiro. Em audiência no TRT (Tribunal Regional do
Trabalho) da 15ª Região, realizada na tarde desta quinta-feira, nenhum avanço foi
registrado.
Os trabalhadores reclamam o pagamento do 13º salário de 2018, o retorno imediato a
jornada 12 x 36 horas que foi tirada sem qualquer negociação, passando para 6 horas
diárias, além de apontarem falta de profissionais em número adequado para a
realização de bom atendimento à população. A Santa Casa se propôs, na audiência, a
pagar o 13º em 10 parcelas, mas sem qualquer correção e se negou a retornar a
jornada 12 x 36 horas. O Sindicato dos trabalhadores não aceitou a proposta.
A audiência foi presidida pela desembargadora, juíza Tereza Aparecida Asta
Gemignani. Representando os trabalhadores estavam presentes, realizada na sala de
Dissídios Coletivos, o presidente do sindicato da Saúde de Presidente Prudente e
Região, Sebastião Aparecido Matias e o diretor, Lierse Christovam de Almeida, além do
presidente da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo, Edison
Laércio de Oliveira.
“O hospital agiu sem qualquer respeito aos trabalhadores e também a sociedade. Com
a mudança na escala de horários, não foram pagas as horas extras e reduziu a
quantidade de profissionais nos plantões”, explica Sebastião Matias. A sobrecarga de
trabalho impossibilita um bom atendimento, o que levou os trabalhadores a registrar
Boletim de Ocorrência (BO) para se preservarem de eventuais responsabilidades.
Para se ter uma ideia, destaca Sebastião, dependendo do plantão, tem 25 pacientes
para 1 auxiliar de enfermagem, enquanto o estipulado pelas normas do Coren
(Conselho Nacional de Enfermagem), o máximo deve ser de 13 pacientes.
Prefeitura se omite de responsabilidade
A diretoria do Sindicato da Saúde buscou o poder público para expor as dificuldades
dos trabalhadores, principalmente levando-se em conta que a Santa Casa é o único
hospital da cidade. Entretanto, a prefeita, Cássia Regina Zaffani Furlan, ignorou a
seriedade da questão e não tomou nenhuma atitude.
É preciso que tanto a Prefeitura quanto a Câmara de vereadores se manifestem e
contribuam para a regularização da situação na Santa Casa, já que são também
responsáveis pelo bom atendimento a população, conforme determina a Constituição
brasileira”, lembra o presidente da Federação, Edison Laércio de Oliveira.
O diretor do Sinsaúde Presidente Prudente, afirma que o Coren (Conselho Regional de
enfermagem) também foi chamado para constatar as irregularidades no hospital e
confirmou as denúncias do Sindicato e dos funcionários. “O hospital só não foi fechado
por ser o único da cidade, mas o órgão protocolou denúncia no Ministério Público do
Trabalho (MPT)”, ressalta ele, lembrando que também o sindicato encaminhou
anteriormente a mesma denúncia ao MPT.
Enquanto não se chegar a um acordo a greve vai continuar e será engrossada pelos
trabalhadores do setor de Higiene e Cozinha na próxima segunda-feira, dia 18 de
fevereiro, quando também terão seus horários de trabalho alterados pela Santa Casa
de 12 X 36 horas para 6 horas. “Como se vê, o desrespeito só continua a imperar
dentro da Santa Casa”, revolta-se Sebastião Matias.