França propõe bônus de 1 mil Euros a trabalhadores expostos ao coronavírus
O governo francês incita as empresas a recompensar os empregados que têm que continuar trabalhando para garantir serviços indispensáveis durante o período de confinamento. Esses profissionais, que correm o risco de serem contaminados pelo coronavírus, poderão receber uma gratificação de € 1 mil (cerca de R$ 5,5 mil).
Além dos numerosos profissionais de saúde, o bônus pode beneficiar milhares de trabalhadores de supermercados, farmácias, grande distribuição, transporte de carga, coleta de lixo ou abastecimento de água e luz, por exemplo. O governo facilitou as regras para o pagamento da gratificação excepcional, que foi criada inicialmente durante a crise do movimento dos "coletes amarelos".
Todas as empresas, independentemente de terem ou não assinado um acordo com o governo, poderão concedê-las, anunciou nesta terça-feira (24) o ministro da Economia, Bruno Le Maire. Os empresários poderão deduzir a soma do imposto de renda.
Várias empresas, principalmente do setor alimentar, como Carrefour, Casino, Intermarché ou Auchan, já anunciaram a intenção de beneficiar seus funcionários. Somente no setor de supermercados, cerca de 1 milhão de trabalhadores poderiam recever o bônus na França. A gratificação deve ser paga até no máximo 30 de junho.
Caixas de supermercados querem mais do que dinheiro Os trabalhadores dos caixas de supermercados, que estão entre os mais expostos ao coronavírus, pedem mais do que
uma gratificação em dinheiro. Os profissionais do setor estão preocupados com o alto risco que correm.
Em contato permanente e diário com milhares de clientes, eles não têm o material de proteção necessário. Faltam máscaras e muitas caixas ficam a menos de um metro uma da outra; desrespeitando a distância mínima de segurança recomendada pelas autoridades de saúde. Por isso, a CGT Comércio exige que proteção adequadas para "quem não tem outra opção que ir ao trabalho". "Quem não se sentir em segurança poderá invocar o direito de não ir trabalhar", alerta o sindicato.
Outra central sindical, a CFDT, pede que a gratificação também seja paga aos empregados que trabalham a distância, em home office, mas que ajudam os serviços essenciais a funcionar.
O governo também anuncia uma ajuda às microempresas, aos profissionais liberais e aos independentes. Eles receberão a partir de abril € 1.500 de ajuda do fundo de solidariedade. Desde o início do confinamento na França há uma semana, 730 mil trabalhadores foram declarados em desemprego parcial. Isto representa um custo de € 2,2 bilhões aos
cofres públicos. O ministro da Economia, que no início dessa crise anunciou um pacote de € 45 bilhões para ajudar o país a minimizar as consequências desta crise, já antecipou que esse volume será insuficiente.
Fonte: BOL