Governo Trump demite diretora de agência de prevenção de doenças por não apoiar agenda antivacina de Kennedy Jr
A Casa Branca anunciou a demissão da diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), Susan Monarez, na quarta-feira (28), menos de um mês após ela assumir o cargo.
A defesa de Monarez afirmou que ela não deixará o cargo e contesta a demissão, que chamou de inválida, e acusou o governo Trump de perseguição. A demissão da diretora do CDC virou um mais um impasse nos EUA e se transformou em um "caos", afirmou o jornal "The New York Times" —o governo do republicano também busca retirar uma diretora do Federal Reserve (Fed) do cargo.
Segundo os advogados de Monares, seu cargo foi chancelado pelo Senado dos EUA após ela receber indicação de Donald Trump, e seus advogados alegam que apenas o presidente pode demiti-la —Trump ainda não se pronunciou sobre o assunto até o momento.
A demissão da diretora do CDC, além da renúncia de quatro funcionários da alta cúpula da agência governamental de saúde, ocorre em meio a tensões com o secretário da Saúde, Robert Kennedy Jr. por políticas de vacinação e diretrizes de saúde pública, e uma tentativa de politização da saúde no país, segundo funcionários do governo. (Entenda abaixo)
O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, afirmou que Monarez “não estava alinhada com a agenda do presidente de Tornar a América Saudável Novamente”. Segundo Desai, como Monarez havia “se recusado a pedir demissão apesar de informar à liderança do HHS que pretendia fazê-lo, a Casa Branca decidiu demiti-la de seu cargo no CDC”.
Antivacina, Kennedy Jr. promoveu mudanças radicais nas políticas de vacinas nos EUA desde que assumiu a pasta de Saúde, incluindo a retirada das recomendações federais de vacinação contra a Covid-19 para mulheres grávidas e crianças saudáveis, em maio, além de ter demitido todos os membros do painel consultivo de vacinas do CDC, em junho, substituindo-os por conselheiros de sua escolha, incluindo ativistas antivacina.
Os advogados de Monarez negaram que ela tenha sido oficialmente demitida, e disseram em nota que “como pessoa íntegra e dedicada à ciência, ela não irá pedir demissão”. A defesa da diretora também acusou Kennedy Jr. de persegui-la por ela se recusar a apoiar “diretrizes anticientíficas” e a dispensar especialistas em saúde.
Quando indicou Monarez ao cargo em março, Trump disse que ela tem "décadas de experiência defendendo inovação, transparência e sistemas de Saúde Pública sólidos", que "entende a importância de proteger nossas crianças, nossas comunidades e nosso futuro".
Fonte: G1