Entre segunda-feira e terça-feira, quando os médicos do Hospital Ouro Verde paralisaram os serviços em protesto ao atraso no pagamento dos salários, 429 cirurgias foram desmarcadas, de acordo com a Vitale, empresa que administra o hospital. Na segunda-feira foram 215 procedimentos eletivos cancelados. Ontem, 214, sendo que a maioria da área de ortopedia. A Vitale não informou para quando os procedimentos serão agendados.
Segundo declaração do Sindicato dos Médicos de Campinas e Região (Sindimed) ao Ministério Público do Trabalho (MPT), os casos cirúrgicos de emergência estão sendo atendidos. O Sindimed informou ainda ao Ministério que, por semana, são realizadas pelo menos 200 cirurgias no Ouro Verde, e cerca de 60% já vinham sendo canceladas por falta de materiais necessários.
“Claro que a paralisação dos médicos impacta na população, mas é preciso entender que os pacientes já vinham sendo prejudicados com o cancelamento das cirurgias e procedimentos por causa da situação de calamidade pública em que o Ouro Verde se encontra”, afirma o presidente do Sindimed, Casemiro Reis.
O número de cirurgias canceladas deve aumentar, já que greve dos médicos no hospital prossegue. De acordo com o Sindimed, o trabalho não será retomado até que ocorra o pagamento dos profissionais. A categoria cruzou os braços devido aos salários atrasados há quatro meses para os prestadores de serviço, e há um mês, no caso dos que trabalham com carteira assinada. Além disso, os médicos afirmam que os valores do FGTS, INSS e Imposto de Renda não têm sido depositados.
Em audiência de mediação na segunda-feira, entre o sindicato, a Prefeitura e a Vitale, presidida pelo MPT, não houve acordo. O Ministério informou que a empresa solicitou à Prefeitura um repasse de R$ 5 milhões para acertar a situação financeira do Ouro Verde, e a resposta ao pedido deve ser dada amanhã.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o repasse à unidade ainda está sendo estudado. Dos R$ 5 milhões, R$ 1 milhão seria para compra de materiais e medicamentos que estão em falta na entidade, e o restante, para pagar os salários.
Os membros do sindicato votaram, também na segunda-feira, a possibilidade de retomar o serviço até que a resposta ao pedido de verbas fosse dada pela Prefeitura, mas os médicos rejeitaram a opção. De acordo com Reis, “de promessas os médicos já estão cheios, o que eles querem é que efetivamente a situação seja resolvida”.
Foto: César Rodrigues/AAN