Há um consenso no mundo de que Bolsonaro não pode continuar presidente do Brasil, diz advogado

Há um consenso no mundo de que Bolsonaro não pode continuar presidente do Brasil, diz advogado
Publicado: 28 de julho, 2022

 O advogado trabalhista Maximiliano Ataíde esteve recentemente representando a CTB na delegação do Brasil na 110ª Conferência da OIT em Genebra. Ele relata que o clima de preocupação com o país é unânime, e até entre o empresariado Bolsonaro não é bem-quisto. “Entre os trabalhadores a gente já esperava, mas o pessoal do empresariado falou que não quer mais o Bolsonaro também. Eu fiquei até surpreso”.

Maximiliano Ataíde é advogado trabalhista, e participou da conferência como assessor técnico da delegação brasileira convidado pela CTB. Ele esteve na Comissão do Aprendizado, que debateu sobre os desafios e dificuldades em torno do primeiro emprego. Segundo ele, neste tema o Brasil conseguiu dar boas contribuições, porque o país tem uma legislação e uma estrutura de políticas públicas avançadas para fomentar o ingresso no mundo do trabalho.

“Em muitos países, acontece até de as pessoas precisarem pagar para ter um primeiro emprego e aprender. Mas o Brasil, dentro dessa discussão, tem uma certa vantagem, porque já tem algumas leis e políticas estruturadas para o primeiro emprego. A gente tem, por exemplo, a Lei do Estágio, tem o Sistemas S que fornecem capacitação, além de bolsas de estudo para Mestrado e Doutorado. Então o Brasil teve uma participação importante neste tópico”, explica Ataíde.

Fora Bolsonaro é mundial

Se a discussão em torno do mundo do trabalho é diversa e complexa, a visão mundial sobre o Brasil é unanime: o Bolsonaro não pode continuar presidente do país. Segundo Maximiliano, até entre o empresariado é consenso de que Bolsonaro precisa sair.

“Participamos de uma reunião com o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, onde nós apresentamos a situação do Brasil, e ele nos perguntou o que esperamos do Brasil: se queremos voltar ao passado, se queremos eleger Lula, ou apesar disso, trazer uma nova discussão de governo… e o consenso dos trabalhadores foi que Bolsonaro não tem condições de continuar e precisamos buscar um governo progressista. A maioria entente que esse governo se concretiza na figura de Lula. Há uma parcela que defende Ciro Gomes, mas a maioria de esquerda defende o nome de Lula”, afirma o dirigente sindical.

Diferente de anos anteriores, desta vez a Conferência da OIT foi híbrida, devido à pandemia da Covid-19, e este período especial fez com que mais exceções acontecessem no evento. Foi o caso de um jantar do empresariado onde os trabalhadores foram convidados.

“Nós participamos de um jantar, que foi interessante porque normalmente a delegação dos trabalhadores não costuma ir a esse jantar, que quem oferece é a CNT, dos Transportes, que é da delegação dos empregadores. Mas como foi nesse período pós-pandemia, acabou que a maioria dos trabalhadores aceitou ir. E nesse evento, o pessoal do empresariado falou que não quer o Bolsonaro também. Eu fiquei até surpreso”, contou o advogado.

Durante o evento, a delegação brasileira denunciou o negacionismo de Bolsonaro na pandemia da Covid-19, que causou quase 700 mil mortes, a corrupção e a propina da vacina, que foi denunciada com a CPI da Pandemia. E segundo Maximiliano, há um consenso de que Bolsonaro representa o que há de pior da direita mundial, e não deve permanecer à frente da presidência do Brasil.

“Para mim, foi uma honra esse convite da CTB, ocupar essa vaga nesse debate. Até porque, neste ano, pós-pandemia, o contingente de pessoas foi muito mais reduzido. Foi tudo muito interessante, primeiro porque a gente tinha contato com a ONU, os salões da ONU que são de uma arquitetura muito interessante, a gente vê obras de arte de muitos países, como Japão, Indonésia, países africanos, países latinos… E também pude ver de perto a disputa entre os diversos setores, entre os empresários, os governos e os trabalhadores. Tanto que as reuniões são todas separadas”, conta o advogado.

A delegação da CTB contou ainda com a presença do comandante Carlos Müller, presidente da Confederação dos Marítimos e secretário adjunto de Relações Internacionais da CTB. Maximilano Ataíde é advogado trabalhista, advoga para sindicatos da Construção Civil e dos professores da Bahia, é pós-graduado em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho.

 


Fonte:  Portal CTB - 27/07/2022