O Hospital de Câncer de Barretos, em parceria com o Ministério Público do Trabalho e a Prefeitura de Campinas, inaugura, a partir das 15h desta terça-feira, o Instituto de Prevenção da Cidade. Os investimentos no projeto foram da ordem de R$ 30 milhões, valores disponibilizados a partir de uma doação da Justiça por meio do processo que condenou a Shell e a Basf a indenizarem os trabalhadores de uma fábrica de pesticidas em Paulínia. A unidade terá capacidade para realizar exames de papanicolau, mamografias, consultas e cirurgias. A expectativa é de que comece os atendimentos a partir de agosto, quando nas etapas de testes de equipamentos e treinamento de pessoal forem concluídas.
A unidade do HC de Barretos será voltada, inicialmente, para a investigação de tumores da mulher, como os cânceres de mama e de colo do útero. O centro terá a capacidade de realizar cerca de 300 atendimentos diários e contará com equipamentos de mamografia e ultrassom, salas de biópsia e coleta de papanicolau, além de consultórios e espaços para palestras e videoconferências.
O centro médico funcionará no regime hospital-dia, onde a internação é limitada a 12 horas, mas’ a unidade terá capacidade de realizar procedimentos cirúrgicos para a retirada de pequenos tumores. Os pacientes que precisarem de terapêuticas complementares, como radioterapia, quimioterapia e cirurgias de maior complexidade serão encaminhados para outras unidades.
Além da unidade, gerenciada pelo HC de Barretos, Campinas contará com carretas equipadas para o diagnóstico e que vão percorrer a cidade. A tendência é ampliar o serviço para outros tipos de câncer.
O mais novo centro de diagnóstico de câncer e cuidados preventivos é fruto de uma parceria com a prefeitura do município, que cedeu o terreno para a construção do prédio, no início da Avenida Amoreiras, altura da marginal do Piçarrão, no bairro São Bernardo, e o Ministério Público do Trabalho da 15ª Região, que doou a verba arrecadada por meio do acordo judicial com a Shell (Raízen Combustíveis S/A) e a Basf S/A. No resultado da ação coletiva, impetrada em 2007, a Justiça determinou indenizações aos trabalhadores contaminados pela fábrica de pesticidas no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia.
O montante total somou cerca de R$ 370 milhões em indenizações, incluindo danos morais e materiais individuais. Deste valor, considerado o maior da história da Justiça do Trabalho, o MPT doou R$ 120 milhões para instituições da saúde, como o Centro Infantil Boldrini e a Fundacentro, em Campinas. Já o HC de Barretos recebeu R$ 70 milhões e parte da doação viabilizou o Centro de Pesquisa Molecular em Prevenção de Câncer, em Barretos, inaugurado em março. Outros R$ 30 milhões foram investidos no Centro de Diagnóstico de Câncer de Campinas.
O prefeito Jonas Donizette lembrou das dificuldades para implantação do hospital e destacou que trata-se de um “presente para a cidade”.
Foto: Leandro Torres