Hospital de Câncer será inaugurado em agosto

Hospital de Câncer será inaugurado em agosto
Publicado: 05 de julho, 2017

 A população de Campinas vai contar com uma unidade avançada do Hospital de Câncer de Barretos (HC) a partir do mês que vem. O Centro de Diagnóstico de Câncer será voltado para a realização de consultas e exames e tem como meta trabalhar na prevenção da doença.

O projeto é fruto de uma parceria com a Prefeitura, que cedeu o terreno para a construção do prédio na região central da cidade. Os investimentos são da ordem de R$ 30 milhões, valores disponibilizados a partir de uma doação da Justiça por meio do processo que condenou a Shell e a Basf a indenizarem os trabalhadores de uma fábrica de pesticidas em Paulínia.
Os exames de rotina são considerados primordiais para a prevenção e o tratamento do câncer no estágio inicial. Quando a doença é diagnosticada no início, maiores são as chances de cura dos pacientes e menor é o impacto no orçamento da saúde. Movidos pela filosofia da prevenção, o HC de Barretos e a Prefeitura de Campinas inauguram a nova unidade de saúde ainda neste mês, localizada na Avenida das Amoreiras, no São Bernardo. Ainda assim, o Centro de Diagnóstico de Câncer somente estará aberto para o atendimento a partir de agosto, quando as etapas de testes de equipamentos e treinamento de pessoal forem concluídas.
A unidade do HC de Barretos será voltada, inicialmente, para a investigação de tumores da mulher, como os cânceres de mama e de colo do útero. O centro terá a capacidade de realizar cerca de 300 atendimentos diários e contará com equipamentos de mamografia e ultrassom, salas de biópsia e coleta de papanicolau, além de consultórios e espaços para palestras e videoconferências. O centro médico funcionará no regime hospital-dia, onde a internação é limitada a 12 horas, mas a unidade terá capacidade de realizar procedimentos cirúrgicos para a retirada de pequenos tumores.
“Aqueles pacientes que precisarem de terapêuticas complementares, como radioterapia, quimioterapia e cirurgias de maior complexidade, serão encaminhados para outras unidades. A integração do centro de diagnósticos com a rede é mandatória e importantíssima”, ressalta Carmino Antônio de Souza, secretário de Saúde de Campinas.
A nova unidade de saúde está nas imediações do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, que possui um centro de oncologia. As obras começaram no ano passado e o investimento foi viabilizado em função da verba doada pelo Ministério Público do Trabalho da 15ª Região (MPT), em Campinas, arrecadada por meio do acordo judicial com a Shell (Raízen Combustíveis S/A) e a Basf S/A. No resultado da ação coletiva, impetrada em 2007, a Justiça determinou indenizações aos trabalhadores contaminados pela fábrica de pesticidas no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia. O local operou entre meados de 1970 até 2002, quando foi interditado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Na época do fechamento, a fábrica há havia sido vendida para a Basf.
Conforme o MPT, somente durante o andamento do processo, ocorreram 60 mortes por causa da contaminação por produtos tóxicos, que chegaram a atingir o lençol freático na região. A sentença judicial, de 2013, garantiu tratamento vitalício para 1.058 vítimas que estiveram expostas aos agentes químicos. O montante total do acordo somou cerca de R$ 370 milhões em indenizações, incluindo danos morais e materiais individuais.
Deste valor, considerado o maior da história da Justiça do Trabalho, o MPT doou R$ 120 milhões para instituições da saúde, como o Centro Infantil Boldrini e a Fundacentro, em Campinas. Já o HC de Barretos recebeu R$ 70 milhões e parte da doação viabilizou o Centro de Pesquisa Molecular em Prevenção de Câncer, em Barretos, inaugurado em março. Outros R$ 30 milhões foram investidos no Centro de Diagnóstico de Câncer de Campinas.
Além da unidade, gerenciada pelo HC de Barretos, Campinas vai contar ainda com carretas equipadas para o diagnóstico e que vão percorrer toda a cidade. A tendência é ampliar o serviço também para outros tipos de câncer. O secretário de Saúde estima que as iniciativas possam desafogar o sistema de atendimento em um prazo de cinco anos. “Teremos cada vez menos mulheres com câncer e cada vez mais mulheres com tumores menores. O ganho é enorme, não somente para a população, mas também para o sistema. A prevenção reduz gastos, pois diminui o número de internações, os custos das intervenções e a necessidade de terapêuticas complementares”, destaca Carmino, que é oncohematologista, especialidade médica que trata de doenças do sangue, como leucemias e linfomas.