Indicador antecedente de emprego tem maior nível da série em setembro e indica melhora, diz FGV
O trimestre de maio a julho deste ano foi encerrado com um índice de desemprego na casa de 12,8%.
O percentual assusta, mas é menor do que os 13,7% apurados no fim do período imediatamente anterior. Os dados mostram um quadro preocupante, mas que sugere que o pior da crise pode já ter ficado para trás.
Só que a situação dos trabalhadores entre 18 e 24 anos é mais complicada do que a da média.
Segundo a mesma pesquisa do IBGE, nada menos do que 28,8% dos jovens nessa faixa etária estavam desocupados ao fim do primeiro trimestre de 2017. Esse percentual recorde equivale a 4,503 milhões de pessoas.
Os trabalhadores mais novos sempre sofrem mais com as crises e o desemprego decorrente.
Por um lado, eles representam custos menores (e menos produtividade perdida) para as empresas na hora da demissão.
De outro, a menor experiência no mercado dificulta a busca por oportunidades.
Mas é fato também que os empregos que exigem menor qualificação costumam ser os primeiros a surgirem em maior número nas retomadas.
Dados do Ministério do Trabalho apontam que, das 1,24 milhão de contratações feitas no último mês de maio, quase metade foram de trabalhadores com até 29 anos.
Os maiores destaques na geração de empregos formais para os jovens foram os setores de serviços, com 21,8 mil vagas; a indústria da transformação, com 12,6 mil postos, e o comércio, com 11,8 mil.
Concentrar a procura por vagas nesses segmentos é uma boa ideia para os jovens que buscam uma recolocação ou mesmo entrar no mercado de trabalho. Mas não só.
PORTAS DE ENTRADA
Programas de capacitação profissional são uma maneira de melhorar as próprias qualificações e, de quebra, conseguir o tão sonhado primeiro emprego.
E muitos deles não apenas são gratuitos como fornecem vários tipos de auxílio. Um exemplo é o Instituto Formare, que qualifica jovens carentes para o mercado de trabalho por meio de parcerias com empresas.
"O nosso jovem-alvo é aquele que possui indicadores sociais desfavoráveis, mas também muita vontade de crescer. Um jovem para quem ninguém estendeu a mão ainda", resume Claudio Anjos, diretor institucional do Instituto Formare. Por indicadores sociais desfavoráveis entenda-se, neste caso específico, uma renda familiar que não ultrapasse um salário mínimo por pessoa.
Cerca de 80% dos jovens assistidos pelo programa em um dos seus 170 cursos lançados até agora conseguem vagas formais de emprego nos primeiros três meses após a formatura, a maioria nas próprias empresas em que foram treinados.
Não é incomum que haja listas de mil jovens em busca das 20 vagas em média de um curso.
O primeiro funil é uma prova básica de português e matemática. Depois, entrevistas e dinâmicas de grupo em que o interesse, a força de vontade e a capacidade de colaboração dos jovens são medidos.
Passada essa fase, são os indicadores socioeconômicos, junto com a proximidade entre a residência do jovem e a empresa em questão, que vão decidir quem entra ou não.
"Fazemos uma combinação entre quem mais quer e quem mais precisa", completa Beth Callia, coordenadora-geral do instituto.
O curso dura cerca de um ano e consiste em um primeiro núcleo básico e, depois, em disciplinas específicas à realidade de cada empresa. Os alunos recebem uma bolsa-auxílio de meio salário-mínimo, uniforme e todos os benefícios que a empresa parceira concede aos seus funcionários.
É comum, aliás, que estes jovens sejam os primeiros das suas famílias a contar com benefícios de qualquer ordem e, mais tarde, com um trabalho formal.
A certificação é reconhecida pelo Ministério da Educação.
Gerente de treinamento e desenvolvimento do Hotel Grand Hyatt de São Paulo - parceiro do Instituto Formare e de outra iniciativa do mesmo gênero para jovens já maiores de idade e especializada na área de turismo, o Youth Career Iniciative (YCI) -, Lígia Shimizu é responsável por coordenar as ações de treinamento da equipe do hotel, de recepctionistas bilíngues a camareiras e cozinheiros, passando também pelo pessoal administrativo.
No meio desta força de trabalho estão atualmente 12 alunos do Formare e 12 do YCI, fora 30 aprendizes e 30 estagiários. Dos 70 líderes da empresa, aliás, 41 têm menos de 35 anos - caso da própria Lígia, que tem apenas 26 anos.
SÃO PAULO (Reuters) - O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) atingiu em setembro o maior nível da série, apontando otimismo dos empresários e indicando que o emprego continuará a melhorar nos próximos meses, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Os dados divulgados nesta terça-feira mostram que o IAEmp, que antecipa os rumos do mercado de trabalho no Brasil, subiu 2,4 pontos no mês passado e foi a 100,6 pontos, o maior nível da série iniciada em junho de 2008, após recuo em agosto.
"Os melhores dados da atividade econômica sustentam o otimismo dos empresários para a retomada de contratações nos próximos meses. A perspectiva de um crescimento maior do que o esperado anteriormente, para 2017 e 2018, reforça este otimismo", explicou em nota o economista da FGV/IBRE Fernando de Holanda Barbosa Filho.
A FGV pontuou que a melhora aconteceu em seis dos sete indicadores que compõe o IAEmp, com destaque para o índice que avalia a situação dos negócios no momento atual da Sondagem de Serviços, e para o de expectativa com relação à facilidade de se conseguir emprego nos seis meses seguintes da Sondagem do Consumidor.
Já o Indicador Coincidente de Emprego (ICD), que capta a percepção das famílias sobre o mercado de trabalho, recuou 0,5 ponto em setembro, a 97,6 pontos, próximo da máxima da série, refletindo números ainda elevados do desemprego.
"Apesar da tendência de queda do desemprego, este deve continuar em níveis elevados nos próximos meses. O ICD mostra este mercado de trabalho ainda difícil, mas com tendência de melhora", explica Barbosa.
O mercado de trabalho vem mostrando recuperação, ainda que por conta do aumento do emprego informal, e a taxa de desemprego caiu a 12,6 por cento no trimestre até agosto, segundo dados do IBGE.
Fonte:EXTRA