De acordo com o médico infectologista Marcos Boulos, professor da Faculdade de Medicina da USP, é “inevitável” a disseminação no Brasil da nova variante do coronavírus descoberta na Índia. Além dos casos registrados no Maranhão, o Distrito Federal, Rio de Janeiro, Pará e Ceará também investigam casos suspeitos. Apesar de discordar da classificação de uma “terceira onda”, ele prevê que as UTIs devem chegar ao limite da capacidade em diversos estados – incluindo São Paulo – nas próximas semanas, devido ao agravamento recente da pandemia.
Boulos destaca que a escalada recente no número de casos está ocorrendo mais lentamente, em função do número já elevado de infecções. Além disso, a vacinação, mesmo caminhando a passos lentos, também começa a surtir efeito. Por outro lado, a capacidade de atendimento das redes de saúde foi ampliada nos últimos meses. Ainda assim, não será suficiente, alerta o médico.
“Nesse último período, entre fevereiro e março, só em São Paulo foram criados 4 mil leitos extras de UTI. Mesmo assim não foi possível dar conta e muitos morreram sem atendimento especializado”, explicou Boulos, em entrevista a Marilu Cabañas no Jornal Brasil Atual desta quarta-feira (25).
“Estamos com uma capacidade assistencial muito maior. Ainda assim, não deve ser suficiente. É possível que em duas semanas, ou um pouco mais, a gente chegue outra vez à lotação máxima das UTIs em São Paulo, assim como já ocorreu em outros estados”, acrescentou.
Guerra sanitária
Para o infectologista, o enfrentamento da pandemia exige um esforço de guerra coordenado. Sem uma organização centralizada por parte do governo federal, “cada estado faz o que quer”, destacou Boulos. “É essa bagunça que nós temos hoje”. Ele criticou a interferência política do presidente Jair Bolsonaro e classificou como “mau exemplo” a participação do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello em manifestação política no último domingo, flagrado sem máscara em meio a aglomerações.
“O que importa é a vida. Para isso é necessário que as pessoas sigam regras sanitárias. E não sigam loucuras de uma pessoa que acha uma coisa diferente e impõe como verdade. Não dá para entender”, reagiu o médico.
Fonte: Rede Brasil Atual