Jonas diz que vai 'varrer' a Vitale de Campinas
O prefeito Jonas Donizette (PSB) disse ontem que vai “varrer” a Vitale, Organização Social (OS) que administra o Hospital Ouro Verde, de Campinas. Nos próximos dias, ele deve nomear uma comissão de intervenção no hospital. O pessebista disse ainda que foi tão surpreendido quanto a população com as notícias de desvio de recursos públicos da área da saúde feito por um grupo por trás da OS.
Outra medida tomada pelo prefeito, ontem mesmo, foi a exoneração do dentista Anésio Corat Júnior, diretor do Departamento de Saúde, com quem foram apreendidos R$ 1,2 milhão durante a execução dos mandados de busca e apreensão. A exoneração do servidor deve ser publicada hoje no Diário Oficial.
Jonas disse que no passado combateu a corrupção na cidade e que ela é como uma “erva daninha”, que exige um trabalho diário, e que vai tomar medidas duras e enérgicas. “Quando surgem fatos como esse, a resposta tem que ser dura e severa. Do lado da Vitale, nós vamos varrer a Vitale da cidade de Campinas para que fique um exemplo para quem quer fazer coisas semelhantes saiba que Campinas não é lugar para isso.”
Até então, segundo ele, a Administração vinha enfrentando problemas operacionais, de questões contratuais com a OS, com a qual fez uma “grande queda de braço”, mas que não tinha resvalado ainda em desvio de verbas. “Fui tão surpreendido quanto a população com as notícias. E é uma coisa que não vamos compactuar. Pedi para nosso Departamento Jurídico ver a forma de se fazer isso, porque também temos que pensar no atendimento da população e nos mais de 1.600 funcionários do hospital.”
A princípio, segundo explicou, a Prefeitura vai nomear uma comissão de intervenção na unidade, que será presidida pelo presidente do Hospital Mário Gatti, Marcos Pimenta, que terá, segundo Jonas, amplos poderes para tomar todas as medidas necessárias. “Por exemplo, a verba que temos que repassar agora para o 13º ou para pagamento de funcionários, quero que seja supervisionada pela Prefeitura e que caia direto na conta-salário dos funcionários”, disse.
Quanto ao funcionário de carreira que aparece nas investigações da operação, Jonas afirmou que ele trabalha para a Prefeitura há muitos anos e não veio com o seu governo. O servidor será exonerado e responderá a processo disciplinar. “Já cumpria essa função na parte da diretoria da prestação de contas, ele será sumariamente exonerado.
Já sai no Diário Oficial de amanhã a exoneração. Se ficar comprovado o que está sendo divulgado sobre a questão do dinheiro, ele será sumariamente expulso da Prefeitura e vai responder na Justiça. Não só ele, mas qualquer outro agente público que aparecer nesse processo, o caminho será o mesmo.”
Programa
Jonas assinou ontem o projeto de lei que cria a Rede Mário Gatti. A rede vai integrar os hospitais Mário Gatti e Ouro Verde, além do Samu e as UPAs São José, Padre Anchieta e Campo Grande. O objetivo é fazer uma gestão unificada e, com isso, integrar as partes operacional, funcional e administrativa das unidades.
Funcionários do hospital decidem entrar em greve
Os trabalhadores do Hospital Ouro Verde entram em greve a partir das 6h de hoje por atraso no pagamento do 13º salário. Às 8h haverá uma assembleia para definir os encaminhamentos da greve. De acordo com a presidente do Sindicato da Saúde (Sinsaúde), Leide Mengatti, os trabalhadores reivindicam os pagamentos em atraso e o afastamento imediato da Vitale.
Eles também estão com o pagamento de outubro atrasados. De acordo com o Sinsaúde, a Organização Social (OS) Vitale, responsável por gerenciar o hospital e investigada pelo Ministério Público, não depositou a 1ª parcela do 13º dos trabalhadores ontem, prazo limite segundo a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Segundo Leide, ainda ontem houve uma audiência de mediação no Ministério Público do Trabalho, mas nenhum representante da Vitale compareceu. A decisão pela greve havia sido tomada em assembleia no dia 8 de outubro. O presidente do Sindicato dos Médicos, Casemiro Reis, começou a discutir ontem com a categoria a decretação de greve também pelo atraso de 13º e do salário de outubro.
Vereadores articulam abrir CPI
Com a deflagração da operação do Gaeco, os vereadores Pedro Tourinho (PT) e Mariana Conti (PSOL) se articularam para propor a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os supostos desvios de verbas públicas no Hospital Ouro Verde. Para que seja instalada, são necessárias 11 assinaturas.
Além dos dois parlamentares, também são favoráveis à abertura do processo investigativo os vereadores Carlão do PT, Gustavo Petta (PC do B) e Marcelo Silva (PSD). “A ação do Ministério Público confirmou nossas suspeitas de que o hospital estava em colapso por falta de remédio e de tudo. Fizemos vários requerimentos para a Prefeitura questionando a gestão do hospital, mas as respostas sempre eram evasivas”, disse Tourinho.
Mariana estava em São Paulo pela manhã, mas sua assessoria informou que ela se reuniria com os demais vereadores para discutir a unificação do pedido de CPI. “Essas denúncias revelam uma constante na história das terceirizações em Campinas e no nosso País.
Esse modelo de gestão não resolve os problemas da saúde pública”, disse a vereadora, via sua assessoria. À noite, ela informou ao Correio que o grupo vai tentar abrir a comissão até segunda-feira, devido à proximidade do recesso parlamentar.
Tourinho acrescentou que hoje, junto com os outros cinco vereadores, deve passar o dia visitando os gabinetes para conseguir os outros seis votos para abertura da investigação.
Questionado sobre a movimentação da oposição, o prefeito Jonas Donizette (PSB) afirmou que este era um assunto para o seu líder de governo. Marcos Bernadelli (PSDB) deixou claro que as investigações ficarão restritas ao Ministério Público.
Segundo ele, a base vai se reunir para discutir a resposta dada pelo prefeito, com a exclusão da Vitale e também a exoneração do funcionário envolvido, e que se as acusações se resumirem à Vitale, a investigação feita pelo MP será suficiente. “Se precisar de alargamento de investigação eu quero crer que o Executivo não vai medir esforços em fornecer documentos.”
Fonte: Correio Popular
Foto: Patrícia Domingos