Junho tem maior inflação para o mês em 23 anos

Junho tem maior inflação para o mês em 23 anos
Publicado: 06 de julho, 2018

 O grupo de alimentos e bebidas teve a maior variação, de 2,03% em junho, na esteira do aumento de preços observado em razão da escassez de produtos nas prateleiras. 

 
O leite longa vida, que teve alta de 15,63%, e o frango inteiro, que variou em 8,02%, registraram fortes altas em junho. 
 
A batata-inglesa, que disparou de preço nos principais centros de distribuição do país, teve alta de 17,16% em junho, após aumento de 17,51% em maio. Carnes bovinas ficaram 4,60% mais caras no período. 
 
Segundo o IBGE, desde janeiro deste ano que o grupo alimentos e bebidas não registrava alta superior a 2%. 
 
Como muitos alimentos ficaram retidos em bloqueios nas principais estradas dos país, centros de distribuição e supermercados ficaram sem produtos importantes da cesta básica do brasileiro. Após o fim da paralisação, houve uma corrida dos consumidores aos mercados, o que postergou por alguns dias a volta à normalidade no abastecimento. 
 
O IPCA-15, que é uma prévia da inflação oficial, já havia apontado tendência de alta do indicador de junho.
 
Entre os nove grupos de bens e serviços investigados pelo IBGE, apenas dois não tiveram alta no período: vestuário e comunicação. 
 
Habitação (2,48%), transportes (1,58%) e alimentos (2,03%) respondem por cerca de 60% das despesas das famílias e sua variação puxou para cima o índice de junho. 
 
COMBUSTÍVEL
Além da alimentação, a mobilização de caminhoneiros também teve impacto no segmento de transportes, mais precisamente nos combustíveis. A gasolina subiu 5% em junho, enquanto o etanol teve alta de 4,22%. Houve quedas, contudo, no diesel (-5,66%) e nas passagens aéreas (2,05%), mas sem força para reverter as altas da gasolina e do álcool. 
 
O diesel caiu em razão do esforço do governo federal em controlar os preços. Após conceder benefícios fiscais, o governo colocou a ANP (Agência Nacional do Petróleo) para fiscalizar se os postos estão repassando ao consumidor final o resultado das medidas para fazer cair o preço do diesel. A gasolina, que teve altas congeladas em meio à paralisação, voltou a subir em junho. 
 
O gás encanado aumentou 2,37% e o de botijão, 4,08%. O motivo para o aumento do gás de botijão foi que houve falta do produto durante os protestos de caminhoneiros. Quando a mobilização foi encerrada, consumidores protagonizaram uma corrida aos postos de distribuição, o que estendeu por ainda mais alguns dias os efeitos do desabastecimento, pressionando os preços para cima. 
 
O IBGE já havia indicado que apesar de os protestos dos caminhoneiros terem começado em maio, a inflação de junho também seria afetada.
 
Outros segmentos sofreram impactos sem relação com a paralisação de caminhoneiros, caso da energia elétrica, que subiu 7,93% em razão da mudança da bandeira tarifária e da redução do nível de alguns reservatórios de hidrelétricas no país. 
 
Fonte: Folha de SP