Ministério da Saúde gasta R$ 2,7 bilhões com remédios via justiça; veja impactos

Ministério da Saúde gasta R$ 2,7 bilhões com remédios via justiça; veja impactos
Publicado: 18 de agosto, 2025
Apesar de a Anvisa ter suspendido seu registro por dúvidas de segurança, o ministério segue obrigado a comprá-lo por ordem judicial. Caso todos os 213 pacientes com processos ativos recebam o medicamento, a conta pode chegar a R$ 3 bilhões.
 
Outras drogas também pesam no orçamento, como o vosoritida, usado para tratar acondroplasia, que custou R$ 875 milhões entre 2022 e 2024, e o eculizumabe, para hemoglobinúria paroxística noturna, além do atalureno, também indicado para distrofia muscular.
 
Estratégias para conter custos
O secretário-executivo do ministério, Adriano Massuda, reconhece o direito dos pacientes de buscar a Justiça, mas alerta para processos que estimulam preços abusivos. Segundo ele, terapias de alto custo e caráter experimental tornam o impacto orçamentário imprevisível.
 
Entre as alternativas em análise estão negociações diretas com a indústria, incentivo à produção nacional e acordos de compartilhamento de risco, como o firmado para o Zolgensma, remédio de R$ 7 milhões para atrofia muscular espinhal, cujo pagamento depende da eficácia comprovada no paciente.
 
Conflito entre expectativa e viabilidade
A judicialização também reflete a demora na incorporação de novas tecnologias ao SUS, segundo associações de pacientes. A Conitec, comissão responsável por avaliar esses pedidos, rejeitou recentemente a inclusão do elevidys na rede pública, citando riscos de efeitos adversos e impacto financeiro de R$ 9,3 bilhões em cinc anos.
 
Apesar da negativa, decisões judiciais continuam garantindo o acesso individual ao medicamento. Já a farmacêutica Roche, fabricante da droga, defende seu “potencial transformador” e lamenta os efeitos da decisão sobre famílias que aguardavam a terapia.
 
Fonte: ABC do ABC