MST lança 4 mil quilos de sementes da palmeira juçara com helicóptero da PRF
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fez uma semeadura aérea de cerca de quatro toneladas de sementes da palmeira juçara no município de Quedas do Iguaçu (PR), nesta segunda-feira (3). A ação aconteceu com um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e inaugurou a 2ª Jornada da Natureza, organizada pelo MST em todo o país.
Com o lema “Semeando vida para enfrentar a crise ambiental”, as atividades duram até sexta-feira (7), marcando a semana do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.
No Paraná, onde a jornada foi concebida pela primeira vez no ano passado, ainda serão plantadas (de forma aérea e terrestre) outras oito mil toneladas de sementes de juçara e de araucária, ambas espécies da Mata Atlântica em extinção. Está previsto também o plantio de 17 mil mudas de árvores, com a criação e expansão de sistemas agroflorestais.
“A gente compreende que o que está acontecendo no nosso país, tanto em relação a períodos intensos de chuva como de seca, é resultado da crise ambiental causada pelo sistema capitalista, que explora e destrói a natureza”, afirmou, sob a ventania das hélices do helicóptero, Bruna Zimpel, da direção nacional do MST.
“Para enfrentar a crise climática, é necessário que ações deste tipo aconteçam: resgate de espécies, plantio de árvores, recuperação da natureza”, elencou Zimpel.
A semeadura aconteceu a cerca de 300 quilômetros da fronteira com o Rio Grande do Sul, estado que enfrenta uma tragédia climática sem precedentes com 2,4 milhões de pessoas afetadas. As sementes caíram sobre as áreas de reserva legal do assentamento Celso Furtado e das comunidades Vilmar Bordin, Fernando de Lara e Dom Tomás Balduíno.
A iniciativa integra o plano nacional “Plantar árvores, produzir alimentos saudáveis”, lançado pelo MST em 2020, o objetivo é plantar 100 milhões de árvores até 2030. Pelos cálculos do movimento, no ano passado foram 25 milhões.
Helicóptero da PRF
A parceria do MST com a PRF, pouco provável no pensamento daqueles que, ao ouvirem o nome do órgão, lembram das suas ações para impedir eleitores no Nordeste de acessarem pontos de votação em 2022 ou em chacinas no Rio de Janeiro, foi possível por articulações locais no Paraná.
A ação conjunta foi selada já na Jornada da Natureza do ano passado, primeiro ano em que superintendência da PRF do Paraná esteve a cargo de Fernando Cesar Borba de Oliveira. Formado em jornalismo e pós-graduado em comunicação política em Ciências Sociais, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Oliveira trabalhou na Agência Brasil e em entidades sindicais antes de se tornar policial rodoviário em 2013.
O comandante Juliano Kunem, de Operações Aéreas da PRF, afirmou que os agentes “se sentem felizes de poder conduzir essa máquina e dar um resultado que, cientificamente, está se provando útil”. “Que a gente possa semear muita palmeira juçara nas terras onde são necessárias para a recuperação da natureza”, completou Kunem, ele próprio filho de camponeses da região.
Os custos com os voos não são cobertos pela PRF. Organizada com a Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária do Paraná (Acap), a iniciativa tem patrocínio da Caixa Econômica Federal.
A jornada do MST tem parceria, ainda, da Itaipu Binacional, o Instituto Água e Terra (IAT), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), entre outros órgãos públicos e ministérios do governo.
Fonte: Brasil de FAto