Mulheres negras que atuam na saúde são mais impactadas pela pandemia

Mulheres negras que atuam na saúde são mais impactadas pela pandemia
Publicado: 11 de janeiro, 2021

 Na linha de frente do combate à Covid-19, os profissionais da saúde exercem um papel fundamental durante a pandemia e vêm enfrentando diversos desafios.

 
Mas, no quadro geral, as mulheres negras na área da saúde são as que mais sofrem com os impactos da crise sanitária.
 
É o que indica uma pesquisa da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP).
 
A análise realizada indica que, entre os profissionais da saúde, a maior vulnerabilidade é das mulheres negras, enquanto os homens brancos são os que apresentam menores índices de impactos devido à pandemia.
 
Com base na pesquisa, as mulheres negras são as que mais demonstram medo de contaminação pelo novo coronavírus (84,2%).
 
Além disso, 58,7% delas se sentem despreparadas para lidar com a crise e 38% declaram ter sofrido mais assédio moral durante a pandemia.
 
Elas também são as que menos receberam testagem para a Covid-19 (26%) e têm menos suporte de seus supervisores (54%).
 
Contudo, em alguns aspectos analisados, a situação de homens e mulheres que se autodeclaram amarelos, indígenas, transexuais e não-binários é ainda mais crítica.
 
Neste grupo, apenas 40,3% afirmam ter recebido treinamento durante a pandemia, contra 44% das mulheres negras, 50,8% das mulheres brancas e 58,7% dos homens brancos.
 
A saúde mental dos profissionais também foi observada pela pesquisa. De acordo com os dados, as mulheres (brancas e negras) declaram-se mais suscetíveis às emoções negativas em meio à pandemia.
 
No total, 83% delas disseram que a saúde mental foi impactada durante a pandemia, contra 69% dos homens. Entre amarelos, indígenas, pessoas transexuais e não-binárias, essa porcentagem foi de 89%.
 
O estudo foi realizado em parceria com a Fiocruz e com a Rede Covid-19 Humanidades. Os dados foram coletados por meio de um questionário online entre os dias 15 de setembro e 15 de outubro.
 
Participaram 1.263 profissionais de saúde de todo o país, entre médicos, enfermeiros e agentes comunitários.
 
Fonte: O Globo | Celina