Operação Ouro Verde: último alvo da 3ª fase se entrega em Campinas e é preso; MP pede prorrogação das prisões
O oitavo e último alvo da terceira fase da Operação Ouro Verde, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Campinas (SP), se entregou à Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (26). Gustavo Khattar de Godoy, de 40 anos, chefiava exames no Hospital Ouro Verde e tinha salário superfaturado, segundo as investigações. Ele está preso.
A Promotoria do Gaeco confirmou que enviou à Justiça, nesta segunda, o pedido para prorrogação das oito prisões temporárias, que vencem no fim desta tarde, por mais cinco dias.
Gustavo se apresentou no 2º Distrito Policial da cidade às 9h e foi encaminhado para a cadeia anexa ao 2º DP, onde estão outros seis presos desde a última quinta-feira (22). A investigação apura desvio de, ao menos, R$ 2 milhões nesta fase.
Além dos oito mandados de prisão temporária, também foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão. Os alvos são investigados pelos crimes de organização criminosa, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
O acumulado de valores que podem ter sido desviados da Saúde do município de Campinas desde o início da operação - em novembro de 2017 - chega a R$ 7 milhões.
Em relação à prorrogação das prisões, se aprovada pela Justiça, o novo prazo começa a contar nesta terça-feira (27) e vai até sábado (1). Segundo a Promotoria, três dos oito investigados já foram ouvidos pelo Ministério Público.
Nesta segunda, os promotores também devem ouvir depoimentos de dois jornalistas citados nos áudios de conversas que fazem parte da investigação.
Também nesta segunda, a Câmara de Campinas deverá votar a instauração de uma Comissão Processante contra o prefeito Jonas Donizette (PSB).
O pedido foi protocolado por um dos vereadores da oposição citados nos áudios da Operação Ouro Verde. Dois secretários que fazem parte da bancada a favor do governo foram exonerados nesta segunda e vão integrar o corpo de parlamentares.
[Leia mais sobre a votação, ao longo da reportagem]
2º Distrito Policial de Campinas, onde Gustavo Khattar de Godoy, investigado na 3ª fase da Operação Ouro Verde, se entregou nesta segunda-feira (26). — Foto: Carina Rocco/EPTV 2º Distrito Policial de Campinas, onde Gustavo Khattar de Godoy, investigado na 3ª fase da Operação Ouro Verde, se entregou nesta segunda-feira (26). — Foto: Carina Rocco/EPTV
2º Distrito Policial de Campinas, onde Gustavo Khattar de Godoy, investigado na 3ª fase da Operação Ouro Verde, se entregou nesta segunda-feira (26). — Foto: Carina Rocco/EPTV
R$ 45 mil mensais
Áudios de ligações telefônicas interceptadas pelo Ministério Público com autorização da Justiça revelam o salário superfaturado de R$ 45 mil por mês de Gustavo Khattar de Godoy.
O investigado era o responsável pelos exames de radiologia do Hospital Ouro Verde. De acordo com a Promotoria, ele assumiu o serviço de imagem do hospital, "quarteirizou" o trabalho e superfaturava os exames.
Havia uma previsão do advogado de Gustavo, Ralph Tórtima Filho, de que ele se entregasse na sexta (23), o que não ocorreu. Houve um pedido do defensor para que uma data fosse agendada pelo Ministério Público para a apresentação voluntária de Godoy, mas não houve retorno e ele se entregou nesta segunda-feira.
De acordo com o Boletim de Ocorrência da captura do investigado, Gustavo Khattar de Godoy se negou a passar por exame de corpo de delito, "afirmando que sua integridade física está mantida", diz o documento.
Gustavo é filho de Sylvino de Godoy Neto, dono do grupo que edita o jornal Correio Popular, também preso na operação. No entanto, Sylvino foi internado na última quinta (22) no Hospital da PUC-Campinas devido a problemas cardíacos. Ele permanece hospitalizado, sem previsão de alta.
Relatório e prisões
Um relatório com 155 páginas elaborado pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), detalha a participação de cada um dos oito alvos da 3ª fase do Ouro Verde.
O documento apresenta trechos das delações premiadas de três reús do processo, feitas em maio deste ano. Daniel Câmara, Paulo Câmara e Ronaldo Pasquarelli, apontados como donos da Organização Social Vitale, que administrava o hospital.
Entre os presos estão empresários, ex-diretores da Vitale e o ex-secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Sílvio Bernardin, que foi exonerado pela Prefeitura de Campinas.
Presos na operação:
Sylvino de Godoy Neto, dono do grupo Rede Anhanguera de Comunicação (RAC)
Sílvio Bernardin, secretário municipal de Assuntos Jurídicos, exonerado na quinta (22)
Thiago Neves, membro da gestão da Vitale, que administrava o Hospital Ouro Verde, preso em Jundiaí (SP)
João Carlos da Silva Júnior, preso na capital paulista
Danilo Silveira, dono de laboratório de análises clínicas
Felipe Brás, empresário da empresa de higienização de material hospitalar Grennlav
Alcir Fernandes Pereira, contador da Vitale
Gustavo Kahttar de Godoy, filho de Sylvino que chefiava exames de imagem que prestava serviço ao Hospital Ouro Verde
Preso da terceira fase da Operação Ouro Verde chega na sede do Ministério Público, em Campinas, no dia do cumprimento dos mandados, 22 de novembro. — Foto: Cristina Maia/EPTV Preso da terceira fase da Operação Ouro Verde chega na sede do Ministério Público, em Campinas, no dia do cumprimento dos mandados, 22 de novembro. — Foto: Cristina Maia/EPTV
Preso da terceira fase da Operação Ouro Verde chega na sede do Ministério Público, em Campinas, no dia do cumprimento dos mandados, 22 de novembro. — Foto: Cristina Maia/EPTV
Câmara deve votar Comissão Processante
Os vereadores Marcelo Silva (PSD), Tenente Santini (PSD) e Pedro Tourinho (PT) foram citados em conversas em áudio entre o empresário Sylvino de Godoy Neto, proprietário do jornal Correio Popular, e dois jornalistas: o chefe de reportagens da mídia impressa, Ricardo Fernandes, e o diretor editorial da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), Nelson Homem de Mello.
Os parlamentares receberam os áudios dos promotores na quinta-feira (22) quando foram chamados na sede do Ministério Público em Campinas. Na ocasião, os vereadores falaram sobre a intenção de abrir uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito.
"Obviamente, analisando todo o processo, acho que nós já temos embasamento suficiente para entrar com uma Comissão Processante apurando a responsabilidade do prefeito. Não dá mais para a Câmara Municipal ser, mais uma vez, coagida da forma que nós estamos trabalhando. Não é possível que a Câmara seja um coadjuvante do Poder Executivo", disse Marcelo Silva, na quinta-feira.
Silva foi quem protocolou o pedido de instauração da CP, e a sessão está prevista para as 18h desta segunda-feira (26). De acordo com a Câmara de Vereadores, para que essa comissão seja instaurada, é necessário que mais de 50% dos vereadores presentes votem a favor.
Dois secretários da Prefeitura, que atuavam como vereadores antes de serem nomeados para as pastas e fazem parte da bancada a favor do prefeito Jonas Donizette, foram exonerados nesta segunda-feira, conforme publicação no Diário Oficial do município.
André Luíz de Camargo Von Zuben deixa a pasta de Desenvolvimento Econômico, Social e Turismo; enquanto Luís Mokiti Yabiku não chefiará a secretaria de Trabalho e Renda.
Para os cargos foram nomeados Cláudio Quércia Soares, atual diretor do Departamento de Desenvolvimento Econômico, e Luciana Regina dos Santos, respectivamente.
Fonte: G1