Pressão por leitos Covid reduz, mas Campinas tem 100% de ocupação de UTIs adulto para outras doenças

Pressão por leitos Covid reduz, mas Campinas tem 100% de ocupação de UTIs adulto para outras doenças
Publicado: 25 de agosto, 2020

 A necessidade de manter leitos livres exclusivos Covid-19 para avanço na flexibilização da quarentena pressiona o sistema de saúde de Campinas (SP). Enquanto registra 75,33% de ocupação nas vagas de tratamento das pessoas com coronavírus nesta segunda-feira (23), a rede municipal está com os 56 postos de UTI adulto para outras doenças ocupados.

 
Durante coletiva em que o prefeito atualizou os dados da pandemia na cidade, o secretário de Saúde, Carmino de Souza, revelou que a pressão, no momento, é para equilibrar a oferta de leitos de UTI para outras doenças. Segundo ele, o ideal é que a cidade "voltasse ao platô" de 90 vagas.
 
"Há uma necessidade nas próximas semanas de fazer uma reformatação da nossa rede. Os leitos de enfermaria geral, esses são menos complicados", disse.
 
De acordo com o prefeito, Jonas Donizette, que também é presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), a entidade tem debatido com o Ministério da Saúde essa transição, além de observar os critérios de flexibilização da quarentena do Plano SP, que estabelece um percentual de leitos livres para cada fase.
 
"Se ocupar todos os leitos de Covid (com não Covid), tem que voltar para a fase vermelha. Precisamos agora fazer esse ajuste, uma diminuição do percentual, para poder acomodar os leitos", disse Jonas.
 
UTI Covid-19
Enquanto tenta equacionar a falta de vagas de terapia intensiva para pacientes com outras enfermidades, Campinas divulga que a taxa de ocupação das UTI exclusivas para Covid-19 chegou a 75,3% nesta segunda, um índice maior que o da última semana, mas por conta da diminuição de 13 leitos na rede estadual, que passou de 93 para 80.
 
Na coletiva, o secretário de Saúde ficou de levantar com o governo estadual, responsável pela gestão, o motivo da diminuição das 13 vagas.
 
Com essa alteração, o cenário nesta segunda é o seguinte: dos 381 leitos exclusivos, entre SUS e rede particular, 287 estão com pacientes. São 94 vagas disponíveis, sendo 44 no sistema público.Na rede pública municipal, 124 dos 154 leitos estão com pacientes, o que corresponde a 80,5%. De acordo com o boletim da prefeitura, há 30 vagas de terapia intensiva disponíveis, sendo que um leito no Hospital Mário Gatti segue "bloqueado para regulação por conta da necessidade de isolamento de pacientes".
 
No SUS Estadual, que contempla o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, o total de leitos caiu de 93 para 80, sendo que 66 estão ocupados, o que equivale a 82,5%. Segundo o boletim epidemiológico, há 14 leitos livres.
 
 
Já na rede particular, 97 dos 147 leitos estão em uso por pacientes, com percentual de 65,9% em ocupação. O sistema privado tem 50 leitos vagos.
 
Casos de Covid-19
Campinas (SP) confirmou nesta segunda-feira mais 110 casos positivos da doença, totalizando 26.203 moradores infectados. A administração municipal informou ainda que não teve confirmação de novas mortes causadas pela doença nas últimas 24 horas, mantendo o número de 956 óbitos.
 
De acordo com Carmino de Souza, a cidade atingiu o pico de casos e mortes pela doença entre a 27ª e 28ª semana, e há seis semanas apresenta queda em novos casos. Segundo ele, a rede primária teria registrado diminuição de 20% nos registros de atendimentos de síndromes gripais.
 
A redução, entretanto, não tira o alerta que a administração faz à população, com a recomendação para quem puder manter o distanciamento social, que o faça; em caso de necessidade de sair de casa, use máscara e siga os protocolos de higiene e distanciamento.
 
"O que a gente tem observado nas últimas semana é a queda nos números todos, mas não podemos abaixar a guarda sob nenhum pretexto. A responsabilidade é cada vez maior. Não é motivo para abertura de tudo, é para continuar evoluindo. É um circulo virtuoso que tem que ser mantido", avisa Carmino.
 
Fonte: G1
 
Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas