Rio Preto vai ganhar três hospitais e novos cursos de saúde

Rio Preto vai ganhar três hospitais e novos cursos de saúde
Publicado: 11 de julho, 2022

 Rio Preto vai ganhar três novos hospitais e mais cursos de graduação na área de saúde nos próximos meses. São investimentos públicos e particulares que vão reforçar ainda mais a vocação da cidade no setor. Os novos empreendimentos são o tema da última reportagem da série do Diário “A Força da Saúde”.

 
Um dos novos investimentos é da Unilago, que pretende iniciar parte dos atendimentos do seu hospital-escola até o ano que vem. O local atenderá pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e de convênios médicos da cidade.
 
Outros dois novos hospitais são a nova unidade da Beneficência Portuguesa, na avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, e o Hospital Municipal da Região Norte.
 
Os investimentos no setor hospitalar não param. O Austa Hospital, por exemplo, está com estudos para implantação de um novo hospital infantil. “Fomos pioneiros na implantação da primeira ressonância magnética de Rio Preto e, em tempo recorde (três meses), construímos uma unidade respiratória voltada ao tratamento da Covid-19. Agora, pretendemos continuar inovando na saúde da cidade”, disse Mário Jabur Filho, médico cardiologista e um dos fundadores do Austa Hospital.
 
 
Quem também analisa a possibilidade de implantação de um hospital próprio é a Unimed de Rio Preto. “No momento contamos com uma ampla rede credenciada, da qual fazem parte todos os hospitais de Rio Preto, e que nos supre a necessidade”, disse José Luis Crivellin, presidente do Conselho de Administração da Unimed Rio Preto, que também afirma que a proposta do hospital próprio será levada primeiro aos 1,6 mil médicos cooperados antes de ser concretizada.
 
Nesta semana, o Diário confirmou que, como forma de suprir a falta de leitos, a Unimed fez parceria com o Hospital de Base para utilizar uma ala da instituição com 34 leitos de enfermaria para atendimento exclusivo de pacientes do plano de saúde. “Recentemente também inauguramos um novo laboratório na cidade. Com ele, a Unimed Rio Preto amplia sua capacidade de realização de exames de 80 mil para até 150 mil mensais”, destacou Crivellin.
 
 
Segundo Waldemar Brentan, presidente da Beneficência Portuguesa, a primeira fase da nova unidade hospitalar tem previsão de entrega no primeiro semestre de 2023. O espaço será em um terreno no Jardim Panorama, onde funcionava o Mercadão de Tratores.
 
“Já iniciamos as obras da nova unidade hospitalar, na avenida JK. Lá, funcionarão Pronto Atendimento, Centro de Diagnóstico, Centro de Infusão e Hemodinâmica, além de outros serviços como cardiologia, trauma e um núcleo de ensino e pesquisa para pacientes particulares e conveniados, com investimento de R$ 100 milhões”. Estima-se que o novo hospital vai gerar 200 empregos diretos.
 
O hospital-escola da Unilago vai funcionar na avenida Cenobelino de Barros Serra. A previsão é que o local tenha garagem para aproximadamente 130 veículos, oito salas cirúrgicas gerais, quatro salas cirúrgicas para endoscopia, colonoscopia e broncoscopia, um setor de diagnóstico com ressonância e tomografia, 150 leitos de internação, 19 leitos de UTI, setor de reabilitação, urgências, ambulatório e até biblioteca.
 
“Será um hospital com 30 mil metros quadrados já construídos, que pretendemos inaugurar ao menos parcialmente no meio do ano que vem. Vai ser um hospital-escola para atender, principalmente, pacientes SUS, mas que também pretendemos ter uma área para planos de saúde”, destacou professor doutor Edmo Atique Gabriel, coordenador do curso de Medicina da Unilago.
 
O crescimento da rede hospital também faz a Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) planejar a implantação de novos cursos na instituição. “Já possuímos três cursos (medicina, enfermagem e psicologia) e temos em andamento a criação dos cursos de fisioterapia e de nutrição”, afirmou Francisco de Assis Cury, diretor geral da Famerp.
 
Novo hospital na região Norte
Com uma população de aproximadamente 200 mil habitantes, segundo estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – maior que a maioria das cidades do Noroeste Paulista, a região Norte deve ganhar nos próximos meses o seu primeiro hospital. Embora, a obra da Prefeitura ainda não tenha data oficial de inauguração, gestores ouvidos pela reportagem dizem que o poder público trabalha para que até o fim do ano inaugure a unidade, chamada de Hospital Domingo Marcolino Braile.
 
Diferentemente da maioria dos hospitais da cidade, a unidade da região Norte não deve atender urgência e emergência. Assim, os atendimentos desse tipo continuarão a ser realizados pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) – são cinco em Rio Preto.
 
O hospital da zona Norte ficará responsável por procedimentos médicos de baixa e média complexidade, ou seja, cirurgias consideradas de menor porte, como é o caso de retirada da vesícula, catarata e fraturas. O projeto inicial prevê que o hospital tenha 80 leitos, dos quais 62 serão rotativos, destinados às cirurgias eletivas, de pequena e média complexidade, e de 12 leitos pós-anestésicos, além de seis leitos de retaguarda.
 
O hospital, que será administrado por uma Organização Social, contará ainda com sala de esterilização e cinco salas cirúrgicas. A expectativa é de que sejam realizadas entre 300 e 400 cirurgias por mês, em especialidades como ortopedia, otorrinolaringologia, oftalmologia, ginecologia e cirurgias gerais, desafogando parte da fila de espera por exames na rede pública de Rio Preto.
 
Na próxima semana, deve acontecer a abertura de propostas para definir a Organização Social que irá administrar o hospital. A construção do prédio custou R$ 23 milhões e ficou pronto em 24 de novembro do ano passado. Nesta semana, a Prefeitura de Rio Preto deu início às obras de “adequação” no local. O contrato para as “obras complementares” foi assinado no início deste mês, no valor R$ 654,4 mil, com a Construtura Rio Obras Comércio de Materiais para Construção. O prazo estipulado para execução dos serviços é de 90 dias. (RC)
 
Hospital Municipal
 
O primeiro hospital municipal de Rio Preto fica na avenida Alberto Olivieri, popularmente conhecida como avenida do Linhão, esquina com a avenida Nametallah Youssef Tarraf, no bairro Parque Residencial Atlântica. O hospital contará com 80 leitos, dos quais 62 serão rotativos, destinados às cirurgias eletivas, de pequena e média complexidade, e de 12 leitos pós- -anestésicos, além de seis leitos de retaguarda. O hospital contará ainda com sala de esterilização e cinco salas cirúrgicas. A expectativa é de que sejam realizadas entre 300 e 400 cirurgias por mês, em especialidades como ortopedia, otorrinolaringologia, oftalmologia, ginecologia e cirurgias gerais.
 
Hospital-escola Unilago
 
O hospital funcionará ao lado do prédio da Unilago, com previsão de atender 80% dos pacientes por meio do SUS e 20% por meio de convênios. O projeto do hospital-escola da Unilago prevê garagem para aproximadamente 130 veículos, oito salas cirúrgicas gerais e quatro salas cirúrgicas para endoscopia, colonoscopia e broncoscopia, um setor de diagnóstico com ressonância e tomografia, 150 leitos de internação, 19 leitos de UTI, setor de reabilitação, urgências, ambulatório, setores de apoio, restaurantes, auditório, biblioteca, entre outros serviços.
 
 
Novo hospital da Beneficência Portuguesa
 
A nova unidade será em um terreno, no Jardim Panorama, onde funcionava o Mercadão de Tratores. Ela contará com atividades de pronto atendimento, centro de diagnóstico, centro de infusão hemodinâmica, cardiologia, centro endoscópico, além de um núcleo de ensino e pesquisa. O hospital atenderá pacientes particulares e de convênios. O local será composto por térreo e um pavimento com um acesso direto à recepção principal e outro acesso exclusivo para o pronto atendimento. O empreendimento terá também estacionamento externo, com 185 vagas, sendo 10 para idosos e 4 para pessoas com deficiência (PCD).
 
Construção de novos centros de especialidades e ampliação do número de leitos de enfermaria e de unidades de terapia intensiva (UTI) também estão no rol dos investimentos previstos pelo setor hospitalar rio-pretense nos próximos meses.
 
 
De acordo com o diretor executivo da Funfarme, responsável pelo Hospital de Base e Hospital da Criança e Maternidade (HCM), Jorge Fares, a fundação pretende ampliar o número de leitos, principalmente, no HCM. “Hoje, faltam leitos para crianças e gestantes de alto risco. O que estamos fazendo é aumentar o hospital. Esperamos que até dezembro possamos operar com mais leitos infantis”, disse.
 
Para ele, o principal desafio dos hospitais brasileiros continua sendo a sobrevivência, mesmo após a pandemia do coronavírus. “O Hospital de Base é um hospital regional, mas por volta de 30% a 32% dos nossos atendimentos são feitos para a população de Rio Preto. Isso faz com que, diferente do que muita gente imagine, o HB seja o hospital SUS com mais leitos voltados à população de Rio Preto. Do nosso total de leitos, que passa de 700, sempre tem 200 a 220 de Rio Preto”, afirmou.
 
 
Outros hospitais que também preveem ampliação do número de leitos são a Santa Casa de Rio Preto, o Austa Hospital e a Beneficência Portuguesa.
 
“No Hospital Helena, além da reformulação da fachada que já está em andamento, temos um projeto de readequação dos setores de pronto atendimento e internação”, disse Aparecida Vieira de Carvalho, administradora do Hospital Santa Helena.
 
 
Conhecido pela implementação de tecnologia, o Austa Hospital recentemente incorporou dois novos equipamentos para atendimento ao público. “Adquirimos uma tomografia computadorizada e uma ressonância magnética para realização de exames com grande precisão. É um grande investimento, prestes a ser inaugurado, com o intuito de alavancar ainda mais a saúde de Rio Preto e região”, falou Mário Jabur Filho, médico cardiologista e um dos fundadores do Austa Hospital.
 
Na Beneficência Portuguesa, além do novo hospital, também está prevista a inauguração de um Centro Avançado no Tratamento de Feridas, onde serão tratadas desde lesões agudas traumáticas até lesões crônicas de difícil resolução. “Trazemos para isto dois novos equipamentos – o Dermapace, que utiliza de ondas de choques que penetram profundamente no tecido para promover a cicatrização e o fechamento da ferida. O segundo é uma câmara hiperbárica”, contou Waldemar Brentan, presidente da Beneficência.
 
 
Para o presidente da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), Adelvânio Francisco Morato, investir em pesquisa e tecnologia é a chave para o sucesso em qualquer ramo de atividade empresarial. “Na saúde, este investimento é uma condição. Pois o equipamento que concentra o maior número de especialistas, tecnologias, dados, pesquisas, inovações no setor é o hospital. Ali se descobrem os problemas e também ali são desenvolvidas as soluções para eles. O hospital é a escola, é o centro de tratamento e recurso indispensável à recuperação. E se tratando de uma área tão dinâmica, que evolui a passos tão largos, não investir em pesquisa e tecnologia é o mesmo que ficar na inércia”, destacou.
 
Contudo, Morato afirma que, para investir em tecnologia, é preciso ter recursos e este é um problema que está colocado na pauta da maioria dos hospitais de pequeno porte do Brasil. “Eles ainda precisam se recuperar desta crise que assola há mais de uma década o país, para poder investir em tecnologia e inovação”.?????????????????????
 
 
Novidades no setor
Além dos tradicionais hospitais de média e alta complexidade, que totalizam oito, também cresce em Rio Preto a incorporação de novidades no setor. Uma delas é o surgimento dos hospitais de transição – espécie de instituições de apoio para hospitais gerais indicadas para as pessoas que estiveram (ou estão) internadas por um tempo e precisam de cuidados essenciais, mas não demandam intervenções invasivas e de UTI.
 
Em Rio Preto, o Grupo Cene é pioneiro em trazer essa espécie de hospital para o Noroeste Paulista. “O hospital de transição é dedicado aos pacientes que já têm o diagnóstico e tratamento definidos, aos que precisam dar continuidade a um tratamento medicamentoso, reabilitação, adaptação de familiares e cuidadores para tratamento domiciliar, casos em que tratamento em casa não é possível e outros”, explicou a presidente do Grupo Cene, Sueli Noronha Kaiser.
 
 
Para acompanhar os pacientes, o Hospital de Transição de Rio Preto conta com uma equipe de médicos, enfermeiros e profissionais multidisciplinares, além de oferecer ao paciente a opção de ser atendido dentro do hospital de transição pelo seu médico de confiança. A expectativa é que esses hospitais sejam mais comuns no Brasil. Isso porque com ele é possível garantir a sequência do tratamento de forma segura como mais uma opção entre o hospital e o home care.
 
Para Roberto Luiz Kaiser Júnior, coloproctologista e diretor clínico da Kaiser Hospital Dia, a cidade pode crescer ainda mais a partir telemedicina. “Pacientes nos procuram para uma consulta online e depois vêm para a cidade para realizar a cirurgia. Só neste ano já operamos pacientes de vários estados brasileiros e também que vieram da Holanda e de Londres. Temos ainda já programados para esse segundo semestre pacientes do Japão e da Noruega”, contou. (RC)
 
Fonte: Diario da Região