São Paulo cancela carnaval de rua, mas mantém desfile das escolas. 'A covid voltou com tudo'

São Paulo cancela carnaval de rua, mas mantém desfile das escolas. 'A covid voltou com tudo'
Publicado: 07 de janeiro, 2022

 A prefeitura de São Paulo cancelou o carnaval de rua neste ano, conforme se previa e como defendiam os principais blocos da capital. O avanço da covid-19, com a disseminação da variante ômicron, acende um alerta em todo o país. Além dos blocos, a Vigilância Sanitária também recomendou o cancelamento. Contudo – e também contraditoriamente –, a cidade seguirá o modelo do Rio de Janeiro, que também cancelou a saída dos blocos mas manteve o carnaval confinado. Os sambódromos do Anhembi e da Sapucaí devem receber desfiles entre os dias 25 e 28 de fevereiro.

 
A realização dos desfiles das escolas de samba tem apoio da prefeitura, pelo menos por enquanto. Entretanto, ao longo da próxima semana, as autoridades farão reuniões com a Liga das Escolas de Samba para acertar protocolos sanitários. Embora a ciência alerte que não é momento para aglomerações nas ruas, a realização desses eventos em espaços fechados também preocupam. “Vamos sentar com a Liga das Escolas de Samba e combinar um protocolo para a realização dos desfiles no sambódromo. Caso eles aceitem os protocolos, os desfiles serão mantidos”, disse hoje (6) o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
 
Algumas dos mais tradicionais polos de folia nas ruas, como Rio de Janeiro, Olinda e São Luiz do Paraitinga, já anunciaram que este ano não vai ter.
 
Sem carnaval
Com a escalada da covid-19 em todo o país, a Vigilância Sanitária também reforçou outras recomendações para enfrentar este novo momento da pandemia. “Intensificação da vacinação e doses de reforço contra a Covid-19; Manter o uso obrigatório de máscaras na comunidade, bem como demais medidas não farmacológicas; Higienizar as mãos; Etiqueta respiratória; evitar qualquer tipo de aglomeração onde não se possa ter controle sanitário seguro; Cancelamento de todas as atividades relacionadas ao carnaval de rua 2022 na capital, bem como atividades que não tenham controle sanitário”.
 
A decisão de cancelar os blocos de rua encontra eco na organização de muitos deles. Um grupo de 250 blocos tradicionais da cidade já haviam dito que não sairiam neste ano.
 
A prefeitura também aproveitou para anunciar o endurecimento em relação ao passaporte da vacina. A partir de segunda-feira (10), todos os eventos na capital devem exigir comprovante de vacinação dos presentes. Até então, a exigência só era vigente em eventos com mais de 500 participantes. “Tínhamos um protocolo inicial que apontava que eventos com mais de 500 pessoas deveriam exigir o passaporte. Estamos fazendo essa alteração em função do quadro epidemiológico que a cidade vive hoje. Enquanto existir esse quadro de ascensão da ômicron na cidade, vamos exigir para qualquer evento a necessidade do passaporte”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido.
 
Voltou com tudo
As ações correspondem a não apenas ao aumento dos casos de covid-19, mas também à pressão na rede hospitalar. Apenas ontem, 53 mil paulistanos buscaram atendimento médico com sintomas correspondentes à infecção pelo novo coronavírus. O valor é cerca de quatro vezes superior à média diária de dezembro. De acordo com a prefeitura, embora exista uma ampla disseminação de gripe pelo vírus H3N2, a grande maioria das contaminações se devem à covid-19. O número diário de infectados na cidade já representa o dobro da primeira onda de impacto do vírus, entre maio e agosto de 2020.
 
“Há uma pressão na porta de entrada das unidades básicas de saúde desde a segunda semana de dezembro com síndrome gripal. Em 60%, 70% dos casos, há indícios de que seja covid, o que indica um rebote da doença. A covid voltou e voltou com tudo”, disse o representante da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) presente na reunião, Luiz Arthur Vieira Caldeira.
 
Fonte: Rede Brasil Atual