Saúde baseada em valor: tendência mundial é debatida em fórum em Vitória
O aumento da expectativa de vida e da população, além dos custos maiores diante de uma medicina cada vez mais tecnológica de média e alta complexidade, têm levado a um novo movimento na área da saúde: a do conceito de saúde baseada em valor (SBV).
Setores público e privados precisam buscar mecanismos eficazes para que a conta feche, garantindo, assim, que os gastos com a saúde possam ser feitos nas intervenções que gerem maiores impactos.
De modo geral, a SBV tem por objetivo priorizar a qualidade do atendimento, proporcionando resultados mais eficazes e benefícios aos pacientes, otimizando recursos na saúde.
Esse foi um dos temas amplamente debatidos durante a quarta edição do Saúde em Fórum "Conectando quem produz Saúde".
Pioneiro no Espírito Santo, o evento aconteceu nesta quinta-feira (24), no Hotel Sheraton, em, Vitória. O encontro reuniu 150 convidados dos realizadores e patrocinadores, entre executivos e investidores das principais instituições de saúde do estado e do país. Em pauta: a Gestão da Qualidade em Saúde.
Segundo Alice Sarcinelli, diretora-executiva do evento, o tema central, é indispensável para discutir a sustentabilidade do sistema de saúde. Para Alice, o SBV é uma tendência mundial, porém, no Brasil, começa a dar os primeiros passos.
"A gente fala de uma população que vive cada vez mais. As doenças crônicas estão acometendo cada vez mais essa população com a longevidade e a gente precisa que todos os stakeholders, toda a cadeia produtiva do setor se mobilize e tenha resultados do tamanho dos investimentos que são colocados nele. Seja pelo ente público, pelo ente privado, a gente tem que olhar para a sustentabilidade com um resultado na saúde da população, mas também na saúde das empresas."
Gestão da qualidade e fortalecimento nos hospitais filantrópicos
Quando se fala em gestão da qualidade, o setor acredita que esteja exatamente neste quesito a solução para tantos entraves e gargalos enfrentados atualmente.
Alice destaca que a ideia é a de que ao mudar o modelo remuneratório, saindo do atual "fee for service", (modelo de produzir para ganhar - adotado pelos planos de saúde) e passar a ser contemplada a lógica de resultado para o centro do cuidado (o cliente), para remunerar, todos saiam se beneficiando.
"O relacionamento se torna mais saudável, mais confiável e a medida que isso chega ao paciente a gente consegue enxergar melhor". Inclusive, há 2 anos, o governo capixaba
A respeito do modelo de saúde baseado em valor, desde 2022, o governo do Estado tem pactuado com 20 hospitais filantrópicos no Espírito Santo que representam quase 90% dos atendimentos do SUS e dos leitos do SUS.
"É um caminho sem volta e é um caminho a se comemorar. O que a gente está aqui debatendo são as dificuldades de implementação desse modelo, o que que a gente ainda precisa fazer, ter de lição de dever de casa e como levar isso também para um diálogo entre o público e o privado."
Concentração de profissionais cria "desertos" de saúde no interior capixaba
Dentre os inúmeros desafios do setor da saúde capixaba, está o de interiorização da saúde. No último mês de setembro, uma pesquisa apresentada no auditório da Fecomércio-ES, retratou o panorama da saúde capixaba no período de 2020-2024.
O número de estabelecimentos de saúde apresentou um aumento de 32% nos últimos 5 anos, inclusive, superando a média nacional (21,3%). Em sua maioria são privados, com gestões municipais e a grande maioria, 77%, não possuem convênio com o SUS. A concentração dos profissionais de saúde é maior nas grandes cidades.
Porém, é a concentração desses estabelecimentos em determinadas regiões que mais chama a atenção: para todos os anos analisados, a região que concentra o maior número deles é a metropolitana, com 4.608, o que corresponde a 48,01% do total do Estado.
Segundo a pesquisa, reflexo da alta densidade populacional e, portanto, grande demanda de serviços.
Fonte: Folha de Vitória